Este ano, Natal foi sinónimo de eleições à vista. Segundo Luís Marques Mendes, esta foi a semana em que o primeiro-ministro “se virou definitivamente para as eleições”, protagonizando uma mudança quer de atitude quer de discurso. Para o comentador da SIC, Pedro Passos Coelho deixou finalmente cair o manto, revelando que a campanha eleitoral já está em marcha e que o PSD e o CDS estão em jogo.

No seu espaço habitual de comentário no jornal da noite da SIC, o ex-líder do PSD destacou dois momentos desta semana que mostram a mudança de atitude do primeiro-ministro. O primeiro foi a mensagem de Natal, onde revelou um otimismo “pouco habitual”, onde falou do futuro, “que também não é habitual”, e onde falou sobretudo de esperança. Para Marques Mendes, a mensagem de Natal do primeiro-ministro foi “um autêntico guião para as eleições”.

O segundo momento foi um almoço privado, longe da imprensa, entre todos os ministros e secretários de Estado que compõem o atual Governo. Segundo o comentador, foi aí que Passos protagonizou essa viragem ao fazer, “pela primeira vez”, um discurso de “fortíssimo apelo aos governantes para irem ao encontro das eleições”. Nesse discurso longe dos holofotes dos media, Passos Coelho terá pedido aos colegas do Governo para não viajarem tanto em 2015, isto é, para estarem mais perto dos eleitores. “Atenção que as eleições não se ganham no estrangeiro, ganham-se cá dentro”, terá dito o primeiro-ministro, segundo Marques Mendes.

Para o comentador, esse discurso fortemente alinhado com as eleições de 2015 mostra que o bluff do PSD e do CDS sobre a hipótese de os dois partidos irem ou não irem coligados à corrida eleitoral não passa disso mesmo, de bluff. Se assim não fosse, o primeiro-ministro não teria tido um discurso daqueles para uma plateia repleta de governantes centristas, diz Marques Mendes. “É inevitável haver coligação”, afirmou o comentador, acrescentando que se os dois partidos concorressem em separado estariam a “cometer suicídio na praça pública”.

Sobre as presidenciais, Marques Mendes vaticinou um duelo entre Marcelo Rebelo de Sousa, que é o “candidato mais forte e mais desejado à direita” e António Guterres, “que não deverá conseguir ser secretário-geral da ONU”. “Seria um grande dérbi, empolgante e com um resultado imprevisível”, disse.