O primeiro derramamento de petróleo na Nigéria foi em 2008, o segundo em 2009, é em 2015 ainda com cheiro a crude no ar, que chegam as recompensas por parte da Shell, conta o Guardian. 15. 600 agricultores locais, afetados pelas marés negras, irão receber no total aproximadamente 70 mil euros; cada um deve receber mais ao menos 3 mil euros, e o restante será investido em postos de saúde e escolas para a comunidade de Ogoni.

Este foi o acordo feito com a Shell, e é, até à data, o maior pagamento alguma vez feito à comunidade africana depois de um acidente com consequências para o ambiente. Nunca antes as compensações por um derramamento de petróleo tinham sido pagas aos cidadãos afetados, mas sim aos governos locais.

A primeira proposta- 5.000€- da companhia foi feita em 2011, só em 2013 elevaram para 22.000€, também recusada pela população que, segundo a Shell, exigia 400 mil euros pelos danos causados. O acordo foi discutido entre os advogados da Shell e um grupo de 20 advogados ingleses que se juntou para representar os habitantes que não tinham defesa.

O grupo foi liderado por Martyn Day, que explicou ao jornal inglês o que este acordo significa: “São vários anos de poupanças. Acho que nunca tinha visto um grupo de pessoas tão feliz. O salário mínimo na Nigéria é de 18,000 naira mensais (aproximadamente 90 euros), e 70% da população vive abaixo do limiar de pobreza. Cada um deles disse que sim ao acordo.”

Num acordo paralelo, a subsidiária nigeriana da Shell também se comprometeu a limpar as zonas piscatórias e dos pântanos “dentro de meses”. Inicialmente estimou-se que o derrame tivesse sido de 4.ooo barris, mas deve ter sido 60 vezes superior. A Amnistia Internacional diz que a Shell terá mentido propositadamente, de maneira a poder pagar indemnizações mais baixas, o que esta já negou.

A Shell já se mostrou satisfeita com o acordo, mas reforçou a ideia de que não tem responsabilidade: “Nós assumimos as responsabilidades por dois dos maiores derramamentos no Bodo, de que nos arrependemos profundamente. Sempre quisemos compensar a comunidade de maneira justa, e ficamos satisfeitos por termos conseguido um acordo. Contudo, a não ser que sejam tomadas ações no sentido de acabar com o flagelo do roubo e das refinarias ilegais de petróleo, que continuam a ser a principal causa de poluição ambiental, e a verdadeira tragédia no Delta da Nigéria, as áreas limpas simplesmente vão ser ‘re-impactadas’ por essas atividades ilegais”, disse um dos diretores Mutiu Sunmonu.

Não obstante, a Amnistia Internacional insiste na teoria de que a Shell apenas se tenta escapar das responsabilidades, havendo milhares de outras pessoas em risco, inclusive um porta-voz do Centro pelo Desenvolvimento do Ambiente e dos Direitos Humanos da Nigéria, Styvn Obodoekwe, disse que o acordo era “uma vitória das vítimas da negligência da corporação.”

O advogado Martin Day reconhece que este caso pode abrir um precedente único, mudando o rumo destes casos: Isto abre uma porta. Temos mais quatro ou cinco casos que nos têm pedido para ver. Nós e outros vamos tentar trazer mais casos [ao tribunal de Londres]. Estamos satisfeitos com a coisa decente que Shell fez, mas é muito desapontante que tenha demorado seis anos a levarem este caso a sério e a reconhecer a verdadeira extensão dos danos causados ao ambiente e aqueles que precisam dele para viver.”

O chefe da comunidade Bodo diz que é o final de um pesadelo e que podem finalmente voltar a viver.