Com um milhão de utilizadores no mundo, a portuguesa NMusic chega a cinco países do Médio Oriente e à Nigéria, em África. No dia em que completa cinco anos de existência, há novidades a caminho: uma app para SmartTV e um produto novo “disruptivo”, cuja demo só será apresentada em março. Até lá, ficam as palavras do presidente da empresa, Celestino Alves: “Portugal é pequeno para nós.” A tecnologia é 100% nacional.

A música tem sido a casa de Celestino Alves. Homem da rádio, estreou-se no universo online em 2002, quando abriu a MúsicaOnline, a primeira loja de música digital em Portugal. Antes, foram mais de 20 anos dedicados aos media, sob o teto grupo Renascença. A culpa foi do rádio transitor que a mãe lhe ofereceu aos seis anos. Daí à imersão no universo das rádios piratas passaram 12 anos, o suficiente para lhe mudar o rumo. A licenciatura em engenharia civil não chegou a ser terminada. Passou para o Marketing, mas era na rádio que queria ouvir, falar e estar.

“Em 2002, eu já dizia que o futuro da música não era vender discos. As pessoas diziam que as lojas de música digitais eram para malucos e que eu ia torra o dinheiro todo que tinha amealhado. Um ano depois de lançar a MúsicaOnline tinha mais visitantes do que a loja de música do Sapo”, diz.

O futuro passava pelo digital, mas não pelo download, conta Celestino Alves, 49 anos. Foi essa premissa que o levou a lançar, em 2010, a NMusic, empresa de tecnologia portuguesa que desenvolve um serviço de música plataforma digital, ou seja, de streaming (em que os utilizadores acedem a um servidor para ouvir música, sem terem de a descarregar), de música e vídeo. 

O serviço de streaming da NMusic não chega diretamente ao consumidor. Pelo meio, está um parceiro, responsável pela marca do produto final e pela comercialização. Em Portugal, o serviço da NMusic está a cargo da Meo, na Nigéria, sob a marca Zyng, está a cargo da Airtel e no Médio Oriente, soba a marca Sultn, está a cargo da Intigral Telecom. A app para a SmarTv já está pronta, mas a sua introdução no mercado passa pela disponibilidade dos parceiros.

Mais de 450 artistas portugueses em 120 lojas online

Há cerca de um ano, a NMusic inaugurou uma nova área de negócio, sob o mesmo nome. Objetivo: representar artistas portugueses digitalmente. “Temos noção da dificuldade que alguns artistas portugueses estão a ter no digital”, revela. O que começou por ser uma “ajuda” a alguns artistas conhecidos, acabou por se tornar responsável por cerca de 3% da faturação da empresa. Hoje, a marca NMusic representa em 120 lojas online no mundo mais de 450 artistas, mais de 1.200 discos, mais de dez mil faixas e mais de 100 vídeos.

No top dos artistas portugueses mais ouvidos nas 120 lojas estão os Expensive Soul, Easy B e Tabanka Djaz. Mas, no portefólio, é possível encontrar nomes como Noiserv, For Pete Sake, Algodão, Frankie Chavez ou Simone de Oliveira e Mário Laginha. Quim Roscas e Zeca Estacionâncio é outro dos conteúdos disponíveis e o mote fica lançado: “a música é o core do serviço, mas há todo um mar de possibilidades“, revela. Podcasts, videocast, stand-up comedy são alguns dos exemplos. “Isto é um label para os tempos modernos, disponível para qualquer conteúdo.

“Temos estado a falar com um grande grupo de media internacional para um serviço que não é só de música. Eles querem utilizar a nossa tecnologia em conteúdos”, revela, sem adiantar qual o grupo em questão.

A NMusic foi lançada com 150 mil euros em capitais próprios dos três fundadores. Em cinco anos, três capitais de risco já investiram mais de 4,50 milhões de euros naquela que é “uma filha da Startup Lisboa”, segundo Celestino Alves. A empresa emprega 28 pessoas diretamente e mais de 40 indiretamente.