Na madrugada de segunda-feira, horas após o dérbi começar e acabar empatado (1-1), Bruno de Carvalho publicava uma mensagem no Facebook. As palavras eram muitas e, entre elas, havia algumas que serviam de crítica: “Espero que estes acontecimentos sejam severamente punidos pela Federação e pela Liga. Não acredito que os respetivos delegados e responsáveis não tenham tomado as devidas notas e que os procedimentos de punição não sejam céleres e exemplares.” Mais algumas horas se passariam até que João Gabriel, responsável pela comunicação do Benfica, afirmasse que “acabou o blackout e voltou o folclore”. No dia seguinte, o presidente do Sporting devolveu a bola sem esperar que ela venha a regressar — os leões cortaram as relações institucionais com os encarnados.

O anúncio chegou esta terça-feira e deveu-se às mesmas razões que, em parte, motivaram Bruno de Carvalho a recorrer à sua conta de Facebook: “O assassinato de Rui Mendes, as ameaças de repetição da selvajaria e a concretização de agressão com engenhos pirotécnicos de adeptos do Sporting por parte de adeptos do SLB.”

Ou seja, em causa estão os incidentes ocorridos a 7 de fevereiro, no pavilhão da Luz, durante o dérbi de futsal entre as equipas de ambos os clubes, e os que se veriam depois, a 8 de fevereiro, no Estádio de Alvalade, na partida que opôs as duas equipas num relvado de futebol.

Em comunicado, o Sporting apelidou de “inqualificável” a frase “Very Light 1996″, que se lia numa tarja exibida no sábado, por adeptos benfiquistas, durante o encontro de futsal. As palavras foram “uma alusão ao bárbaro assassinato do adepto leonino Rui Mendes, na final da Taça de Portugal, com recurso a um ‘very light’ lançado por um adepto do Benfica”. O incidente ocorreu na temporada 1995/1996, no Estádio do Jamor.

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Na nota, publicada no site oficial dos leões, o clube criticou ainda que “além de ostentarem a referida faixa, os adeptos do Benfica fizeram acompanhar a exibição da mesma com cânticos, entoando ‘amanhã há mais’, numa clara ameaça de repetição do ato”. Depois, o texto assinado pelo Conselho Diretivo do clube de Alvalade sublinhou que “as ameaças vieram a concretizar-se com o lançamento indiscriminado por parte dos adeptos do SLB de artefactos pirotécnicos sobre os adeptos do Sporting” — algo que aconteceu já depois de o dérbi terminar.

Os leões, aliás, consideram que, “por se tratarem de engenhos explosivos, este arremesso para cima de pessoas também constitui uma tentativa de homicídio.”

Depois dos incidentes referidos, o Sporting esperava por uma reação oficial do Benfica e uma “declaração de reprovação e demarcação por parte dos órgãos dirigentes” do clube da Luz. Mas, lamentaram os leões, o que sucedeu foi uma “comunicação grave e totalmente irresponsável” do “porta-voz oficial” do Benfica. Como tal, o clube liderado por Bruno de Carvalho indicou que “não lhe [restou] outra alternativa que não o corte de relações institucionais com o SLB” — além de “levar estes casos às entidades competentes” e “até às últimas consequências”.

O Sporting recordou ainda que, em setembro de 2013, após adeptos leoninos queimarem um cachecol do rival e atacarem uma carrinha que transportava membros do staff do Benfica, também antes de um dérbi em Alvalade, o clube emitiu “de imediato um comunicado” no qual afirmou “categoricamente” que “condenava e demarcava-se de qualquer ato de violência, dentro ou fora dos recintos desportivos”. Algo que, para já, o Benfica ainda não fez em relação aos incidentes ocorridos entre 7 e 8 de fevereiro.