A aldeia do Portelo, em Bragança, está a ser abastecida de água duas vezes por dia pelos bombeiros, devido a problemas no abastecimento provocados pelo baixo caudal da nascente e por fugas recorrentes, adiantaram esta terça-feira os bombeiros e o município.

“Os bombeiros estão neste momento a transportar água para o abastecimento da população, com a frequência diária de mais ou menos 22 mil litros de água, para que não falte nas torneiras da localidade. (…) Há dias que vamos duas vezes”, disse à Lusa o comandante dos bombeiros de Bragança, Carlos Martins.

Os moradores já publicaram nas redes sociais uma carta aberta na qual denunciam que a falta de água “se agravou de forma insustentável”.

“Há anos que nos habituámos a restrições nos meses de verão, devido à escassez natural da nascente. Este ano, porém, a situação agravou-se de forma insustentável. Há uma semana que as nossas casas estão sem água corrente durante longas horas. Somos obrigados a comprar água, a procurar água de rega para descarregar o autoclismo de manhã e a guardar a água do banho do dia anterior para as necessidades mais urgentes. Na prática, regressámos ao século XX”, pode ler-se na publicação.

Esta aldeia, com 25 habitantes permanentes, costuma ser abastecida pelos bombeiros nos meses de verão devido ao regresso dos emigrantes, o que leva a um maior consumo de água.

No entanto, o comandante dos bombeiros confirmou que “este pico do aumento da população já passou” e continuam a abastecer a aldeia.

De acordo com o presidente da junta de freguesia de França, à qual pertence a aldeia do Portelo, Pedro Afonso, há dois meses que os problemas de abastecimento de água têm sido mais recorrentes devido ao baixo caudal da nascente que abastece a aldeia, mas também às fugas na canalização. Ainda assim, garantiu estarem a ser resolvidas pelo município assim que são identificadas, revelando que nesta terça-feira os serviços municipais estiveram na localidade a reparar uma dessas fugas.

À Lusa, a presidente da câmara de Bragança, Isabel Ferreira, adiantou que só nos “meses de julho e agosto as equipas municipais realizaram seis intervenções para reparação de fugas”.

Segundo a autarca, “as dificuldades de abastecimento de água na aldeia do Portelo não são recentes, estando identificadas há vários anos”, reconhecendo que os tubos que abastecem a aldeia apresentam “necessidades de renovação, refletindo a insuficiência de investimento acumulada ao longo dos últimos anos”.

Isabel Ferreira garantiu que “o município mobilizou os meios necessários para assegurar o reforço do abastecimento ao reservatório da aldeia” e que “entre julho e 6 de outubro registam-se 65 pedidos de abastecimento aos bombeiros”.

“Embora necessárias para minimizar os constrangimentos, estas medidas não substituem uma solução estrutural”, admitiu.

Por isso, o município identificou “uma nova nascente, encontrando-se em curso as análises destinadas a avaliar a qualidade da água e a viabilidade da sua utilização para abastecimento público“, e está ainda a “avaliar a necessidade de intervenção na infraestrutura”, explicou a autarca.

Ainda de acordo com a presidente, que lidera o executivo municipal desde o ano passado, “nos últimos anos não houve investimento” do município neste sentido.

“Apesar das intervenções realizadas na rede em anos anteriores, o problema estrutural manteve-se”, frisou Isabel Ferreira.

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