Mais de 3.000 menores de idade estrangeiros que entraram em Ceuta não acompanhados por adultos no final de julho estão em centros de acolhimento da cidade autónoma e sob tutela das autoridades, disse esta terça-feira o Governo espanhol.

São 3.019 os menores acolhidos neste momento em Ceuta, enquanto outros 89 foram reagrupados com familiares que já viviam em Espanha e mais 173 foram transferidos para centros de acolhimento de outras regiões do país, segundo uma atualização de dados feita esta terça-feira pela ministra porta-voz do Governo, Elma Saiz, numa conferência de imprensa em Madrid.

Quanto aos adultos, foram até agora feitos os registos de 4.432 pessoas que estão em centros de acolhimento temporário, com vista ao repatriamento ou concessão de asilo.

Há neste momento capacidade para 7.477 adultos nesses centros de acolhimento, disse a ministra, que não revelou quantas pessoas estão acolhidas agora nestes espaços.

O Governo espanhol não revelou também quantas pessoas das que entraram ilegalmente em Ceuta em 30 e 31 de julho poderão continuar na cidade, fora de centros de acolhimento e não referenciadas pelas autoridades.

Depois de mais de dois meses, o Governo deu por concluído, no fim de semana passado, o desmantelamento de todos os acampamentos ilegais que havia na cidade, em praias e outros espaços junto à costa, embora continue a haver testemunhos e imagens de grupos de migrantes nas ruas, em zonas florestais ou bairros mais periféricos.

O Governo tem estimado em mais de 70.000 o número de pessoas que entrou em Ceuta ilegalmente em 24 horas no final de julho.

A maioria das pessoas saiu nas horas e dias imediatos, regressando a Marrocos, que faz fronteira com Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.

Depois, continuaram a sair voluntariamente da cidade autónoma espanhola pessoas todos os dias: 11.661 adultos desde 10 de agosto, segundo o executivo.

Por outro lado, 525 pessoas que estavam ilegalmente na cidade foram expulsas, por causa de delitos.

O Governo tem justificado as saídas voluntárias, que aceleraram nas últimas semanas, pela tomada de consciência por parte dos migrantes de que a quase totalidade dos processos, que envolvem pessoas com nacionalidade marroquina, acabarão com ordens policiais e judiciais de expulsão.

Segundo o executivo, essas pessoas preferem não ficar com esse registo em Espanha.