A ministra das Finanças esteve mal nas negociações com a Grécia esta semana, disse Luís Marques Mendes. No espaço de comentário semanal na SIC, sábado, o ex-líder do PSD considerou que Portugal deu uma imagem de subserviência em relação à Alemanha.

Para Marques Mendes, o primeiro erro de Maria Luís Albuquerque foi ter ido na quarta-feira a Berlim encontrar-se com o ministro das Finanças alemão. “Não devia ter ido neste momento. Sujeitou-se à imagem pública de Portugal ter sido utilizado pela Alemanha contra a Grécia”, disse. E acrescentou:

“Portugal não se devia ter deixado utilizar pela Alemanha contra a Grécia nem seja contra quem for. Não foi esse o objetivo da ministra, mas em política o que parece é. Deu imagem de subserviência”, disse o ex-líder do PSD.

O segundo erro apontado pelo comentador político foi a ausência de uma palavra por parte da ministra na sexta-feira à noite, no final da reunião do Eurogrupo. O que, acusou, “gerou esta especulação que a obrigou hoje, à defesa, a dar explicações e ir à televisão”. Marques Mendes referia-se à entrevista concedida esta noite, por Maria Luís Albuquerque, à TVI. “Ela devia ter dado uma conferência de imprensa a dizer que estamos muito satisfeitos com o resultado alcançado, foi sempre aquilo que desejámos”, elogiando o comportamento do ministro das finanças espanhol, que não foi ter com Schäuble.

“Gostava que nesta matéria Portugal tivesse estado sempre como a Irlanda esteve. A Irlanda também é um caso de sucesso e nunca se sujeitou a ser vista como seguidista da Alemanha”, comentou.

Sobre o acordo conseguido pela Grécia, Marques Mendes mostrou-se satisfeito. “Era preciso baixar o nível de crispação, de conflitualidade política que existia nesta matéria”. A Grécia “teve de ceder” porque não alcançou perdão de dívida nem um alívio na austeridade, mas o comentador lembrou que Atenas ganhou tempo e dinheiro numa altura de necessidade.

Marques Mendes criticou ainda a reação do Governo às declarações de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que esta quarta-feira disse que a troika não tinha legitimidade democrática e que se tinha pecado contra a dignidade de Portugal. “Esteve muito mal, muito mal”, sobretudo por ter falado “a três vozes”.

“Os ministros do PSD disseram que estavam contra Juncker e o CDS veio dizer que está com Juncker, que acho que é a posição mais correta de resto. E para que o disparate fosse completo, o ministro [dos Negócios Estrangeiros] Rui Machete nem cá nem lá. Este Governo não parece um Governo, parece uma orquestra desafinada”, disse.

O comentador acusou o atual presidente da Comissão Europeia de “oportunismo e hipocrisia” por nunca ter dito o mesmo enquanto foi presidente do Eurogrupo, mas teve críticas mais duras para com as três reações diferentes do Governo, pela “imagem que dá para o exterior”.  “A mensagem de Juncker é que é preciso mudar isto. E o que parece é que o Governo quer mais austeridade. Desastroso. São mais troikistas que a Troika“, acusou, lembrando que com estas reações a oposição tem o caminho facilitado para as eleições legislativas de outubro deste ano.

Em “semana desastrosa”, o ex-líder do PSD considerou “moralmente chocante” que o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários estejam a empurrar culpas na praça pública no caso BES. “Ao menos calem-se um bocadinho!”, disse, recordando que ambos os reguladores tem responsabilidade e que o Presidente da República ou o primeiro-ministro deviam “fazer-lhes um puxãozinho de orelhas”.

Sobre a oferta pública de aquisição sobre BPI por parte dos espanhóis do CaixaBank, Marques Mendes teme que a administração se torne menos independente com o reforço de administradores espanhóis. Mas referiu que “se um grande banco espanhol investe tanto dinheiro em Portugal é porque acredita na economia portuguesa, portanto é coisa boa”. Boas notícias também para o Novo Banco, que assim pode valorizar-se e ajudar o Governo a encaixar mais dinheiro som uma possível venda.