Missiva para uma surfada perfeita: o estado do mar, do vento e a prancha correta. Esquerdas ou direitas sem demasiada gente pelo caminho. E praias que são secretas para permanecerem um refúgio da comunidade local. Informação que passa de boca em boca. De telefonema em telefonema. E agora em rede, online, de smartphone para smartphone. A Surfstoke é uma app portuguesa e quer ser a primeira rede social global para os fãs dos desportos de ondas. Entre 2 e 5 de março, vai representar Portugal na final europeia do EU Mobile Challenge, em Barcelona.

A ideia – que envolveu Joana Matos, Francisco Brito, João Rodrigues e Nuno Ferro – nasceu em 2013 a propósito de um concurso promovido pela Portugal Telecom (PT), que queria encontrar ideias de negócio ligadas à economia do mar. Venceram. Integraram o espaço de incubação para empresas da PT e mais tarde candidataram-se ao Building Global Innovators, promovido pelo MIT Portugal e pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, do qual têm apoio.

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João Rodrigues, Joana Matos e Francisco Brito, os jovens responsáveis pela Surfs

Quando viram o concurso para participarem no EU Mobile Challenge, concorreram. Agora, entre 2 e 5 de março, vão estar a representar Portugal na final europeia daquele que é um dos principais eventos sobre economia digital e mobile, em Barcelona. Dali, vai sair a melhor app europeia. “É bom vermos a nossa aplicação dar frutos e a ser reconhecida internacionalmente”, explicou Francisco Brito, 23 anos, ao Observador.

Até agora, o projeto tem sido desenvolvido com capitais próprios (cerca de cinco mil euros), mas o objetivo é encontrar investidores. Por enquanto, estão focadas em desenvolver a aplicação. O que faz a Surfstoke? Promove a interação entre os praticantes de desportos de ondas. Como? Através do registo de relatórios dos utilizadores.

“Os utilizadores da ‘app’ fazem ‘check-in’ mal chegam à praia, criando um surf ‘report’ que integra a informação do estado do mar (fornecida pelo Instituto Hidrográfico) e a sua opinião – sustentada num comentário, ‘rating’ e uma fotografia. De seguida, os utilizadores têm a opção de partilhar o ‘report’ com todos os membros da’ app’ ou apenas com 1 ou 2 amigos, salvaguardando os chamados ‘secret spots’ (lugares secretos)”, explica Francisco Brito.

Com estes check-in, é possível saber onde é que os amigos estão a surfar e em que praias estão as melhores condições para a prática deste desporto. Para os empreendedores, desta forma é possível poupar tempo e reduzir a incerteza. Ao serem activos na Surfstoke, os utilizadores ganham pontos que permitem ter acesso a ofertas em lojas parceiras, como a PAEZ, ORG ou Bana Surf Shop.

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A app foi lançada em novembro e está disponível gratuitamente para sistema operativo iOS e Android. Joana Matos, Francisco Brito e João Rodrigues estão 100% dedicados ao projeto. Nuno Ferro, responsável pela programação da app está a tempo parcial. Quando a ideia surgiu, apenas Nuno praticava surf com regularidade e o objetivo era criar uma plataforma que servisse dois propósitos: ajudar as pessoas que queriam praticar surf e não sabiam como e onde aqueles que já praticavam pudessem interagir.

“Era uma ideia um bocadinho megalómana e agora estamos focados em quem é mesmo surfista. Mas construir essa plataforma é o nosso objetivo de longo prazo”, explica Francisco Brito, que costuma escolher as praias da Costa da Caparica e de Carcavelos para surfar.

No evento em Barcelona, vão estar mais de 85 mil pessoas a assistir a palestras de dirigentes de empresas. Mark Zuckerberg, líder do Facebook, é um deles. “O nosso objetivo está bem patente no nome: ‘stoke’ significa o êxtase de apanhar uma onda. E é este ‘feeling’ (sentimento) que queremos levar a todos as praias do mundo onde existam surfistas prontos a dominar as ondas”, afirmou Joana.