O presidente da Câmara Municipal de Lisboa esclareceu esta quarta-feira por que razão despediu António Júlio de Almeida, o presidente da EMEL – Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa -, que havia sido reconduzido no cargo há precisamente um ano. Segundo António Costa, “a razão que determina a demissão tem a ver essencialmente, para não dizer exclusivamente, com uma divergência insanável relativamente a um conjunto de despedimentos” que António Júlio de Almeida pretendia fazer na empresa.

Há um ano, como relata o Público, o agora ex-presidente da EMEL iniciou um processo de despedimento de alguns quadros da empresa que eram próximos de dois administradores que tinham contestado a sua gestão. Esses administradores consideravam que Júlio de Almeida era o responsável por fazer contratos ilegais de serviços de arquitetura e recusaram-se a assinar atas do Conselho de Administração onde esses contratos figuravam por considerarem que lesavam a EMEL.

Quando soube da situação, o vice-presidente da autarquia, Fernando Medina, opôs-se ao despedimento dos quadros em causa, mas António Júlio de Almeida decidiu levá-la por diante, ainda assim. As palavras de António Costa esta quarta-feira vêm confirmar que foi esse gesto que levou ao afastamento do gestor da empresa. Há um ano, a sua recondução no cargo foi votada favoravelmente, com os votos contra do PCP e dos Cidadãos Por Lisboa, independentes que fazem parte do executivo camarário, a cujo grupo pertencia o vereador Fernando Nunes da Silva, que saiu em divergência com a gestão socialista e assinou um artigo de opinião crítico de Júlio de Almeida no Público.

Na reunião desta quarta-feira, e antes de ser aprovado o nome de Luís Natal Marques para o cargo, António Costa referiu-se à EMEL como “uma empresa robusta” e “uma empresa musculada e capacitada para ser aquilo que se projetou que fosse”, isto é, uma empresa vocacionada para todos os aspectos da mobilidade em Lisboa, desde os funiculares de acesso ao Castelo ao sistema de bicicletas partilhadas a se instalado.

Para o lugar de António Júlio de Almeida entra agora Luís Natal Marques, nome aprovado com onze votos a favor, quatro abstenções e dois votos contra – presumivelmente dos vereadores do PCP, que pediram para votar separadamente a demissão de Júlio de Almeida e a aprovação de Natal Marques (o voto é secreto).

Natal Marques foi, até ao fim de 2014, um dos liquidatários da EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, tendo já antes sido gestor da Gebalis, a empresa municipal que gere os bairros camarários. O seu percurso profissional esteve sempre ligado a autarquias: em Torres Vedras, foi vereador e administrador dos serviços municipalizados.