A nova empresa da Cerâmica de Valadares, de nome ARCH, que realizou esta segunda-feira a cerimónia oficial de arranque da produção industrial, já exporta cerca de 25% da sua produção, tendo por objetivo ultrapassar os três milhões em vendas.

“Nem foi preciso fazer grande esforço porque a marca tinha já património importante e alguns dos clientes vieram de sua iniciativa ter connosco. Isso aconteceu em alguns domínios, nomeadamente no Médio Oriente, alguns mercados da Europa, África também, onde estamos a ter já, sem fazer parte do nosso plano, um nível de exportação interessante, quando, no primeiro ano, o mercado ibérico seria o nosso principal desígnio comercial”, afirmou aos jornalistas o administrador da ARCH Henrique Barros.

Numa cerimónia perante cerca de uma centena de pessoas, incluindo o secretário de Estado da Segurança Social, Agostinho Branquinho, na sala de exposição da Fábrica Cerâmica de Valadares, o novo administrador da marca (que ainda integra a massa insolvente) disse que contam com 45 trabalhadores, tendo por objetivo contratar um total de 130 pessoas.

Da parte da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o presidente, Eduardo Vítor Rodrigues, afirmou ser “indescritível em termos de emoção e de sonho cumprido” a reabertura da fábrica e disse sentir-se Valadares, recordando que a autarquia fez a sua parte ao atribuir isenções fiscais ao novo projeto.

A ARCH (cuja sigla se desdobra em “Advanced Research Ceramic Heritage”) resulta de um investimento de mais de 1,2 milhões de euros, proveniente de um grupo de investidores, portugueses e espanhóis, disse Henrique Barros, também ele antigo quadro da empresa.

O agora administrador salientou que o objetivo da nova companhia passa também pela abertura de uma nova unidade industrial.

Todos os intervenientes na cerimónia destacaram o papel do administrador da insolvência, Rui Castro Lima, que lançou o repto para que a recuperação da empresa avançasse.

“Só uma nova empresa e não é só por questões financeiras poderia justificar retomar a atividade neste lugar e defender a marca que foi construída em 94 anos e que claramente está no imaginário de muitos que se cruzaram connosco, eu diria um pouco de todos os portugueses”, realçou Henrique Barros.