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“No tempo do Dr. Pinto Monteiro, quem tinha processos mediáticos acabava com processos disciplinares”

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A denúncia é do recém eleito presidente do Sindicato do Ministério Público. Numa entrevista à Antena 1, António Ventinhas diz que quem investigava processos mediáticos era alvo de processo disciplinar

O recém-eleito presidente do Sindicato do Ministério Público, António Ventinhas

Rui Oliveira / Global Imagens

À segunda insistência da jornalista da Antena 1 sobre se os procuradores eram pressionáveis, o recém-eleito presidente do Sindicato do Ministério Público acabou por disparar contra o ex-procurador-geral da República, Pinto Monteiro. António Ventinhas falou num antes e num depois, sendo que no “antes” coloca Pinto Monteiro como o homem que punha processos disciplinares ou abria processos de averiguações a todos os procuradores que ousassem investigar os mais poderosos. O depois é com Joana Marques Vidal, a atual Procuradora-Geral da República, que juntamente com o sindicato “apoiam” os magistrados permitindo que não sejam permeáveis à pressão.

Quatro dias depois de ser eleito presidente, António Ventinhas falou à Antena 1 da reforma judiciária, da necessidade de adequar o estatuto do Ministério Público a esta reforma, de reforçar os recursos humanos e de tornar a Polícia Judiciária “independente do poder político”. Mas as declarações que mais inflamaram foram relativas ao ex-Procurador-Geral, Pinto Monteiro, a quem se referiu, pelo menos, duas vezes. E nenhuma a seu favor.

No tempo do Dr. Pinto Monteiro, quem tinha processos mediáticos, como regra, acabava com um processo disciplinar”, afirma. “Com este tipo de atitude não havia grande incentivo para investigar pessoas poderosas”.

António Ventinhas respondia à questão da jornalista sobre se um procurador era alvo de pressão. À primeira António Ventinhas não foi direto ao assunto, mas a jornalista insistiu. E o procurador disparou:

Suscitava-se uma grande polémica à volta daqueles colegas que estavam a investigar processos sensíveis e, muitas das vezes, os colegas acabavam com processos de averiguações ou processos disciplinares. É claro que, com este tipo de atitude, não havia grande incentivo para investigar pessoas poderosas, porque determinadas atuações podiam acabar em prejuízo para a carreira”, disse o dirigente sindical.

Já antes o procurador se tinha referido a Pinto Monteiro, ao compará-lo, embora “sem comparação”, com a atual procuradora-geral, Joana Marques Vidal. “O doutor Pinto Monteiro não conhecia o Ministério Público, é uma pessoa que vivia fora da magistratura, podia ter-se integrado, procurado saber os principais problemas, mas esteve sempre como alguém fora do MP. Ao contrário da doutora Joana Marques Vidal. Estamos a falar de duas pessoas completamente diferentes”. António Ventinhas explicou que os procuradores têm, atualmente, apoio da procuradora-geral e do sindicato em processos mais mediáticos, já que a pressão nestes casos é muito maior.

“Os processos mediáticos não se jogam só nos tribunais, mas também na praça pública”, sublinhou esta quarta-feira. E essa é uma forma de pressão, disse.

António Ventinhas lembrou a importância de a Polícia Judiciária ser integrada no Ministério Público para impedir que os diretores daquela polícia sejam nomeações políticas, condicionando a investigação criminal. E afirmou que há tribunais a “fazerem os serviços mínimos” por falta de pessoal.

 

 

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