Os centristas querem “confrontar António Costa com a sua coerência” no momento em que sai da Câmara de Lisboa sem convocar eleições antecipadas, deixando o “cargo mais personalizado de todos” nas mãos de um vereador que não foi eleito para Presidente. A posição dos centristas foi sublinhada na Assembleia da República pelo deputado Telmo Correia. Antes, já João Gonçalves Pereira, vereador do CDS em Lisboa, tinha deixado a mesma mensagem.

Falando aos jornalistas nos Passos Perdidos da Assembleia da República, o deputado centrista acusou Costa de deixar o mandato “a meio” e Lisboa numa “situação grave”, que só não é mais grave por causa do “negócio que fez com a ANA Aeroportos”, relativo ao pagamento de uma taxa de chegada de turistas à Portela. Telmo Correia apontou ainda o dedo ao agora ex-autarca por “falta de coerência”, por ter “andado a pedir eleições por tudo e por nada”, e agora não o fazer com a sua saída da Câmara.

Para Telmo Correia, o mandato de presidente de câmara é o mandato “mais personalizado de todos”, já que os munícipes votam naquela pessoa, pelo que Costa peca por agora o deixar nas mãos “de um vereador que não foi eleito para aquela posição”. Mas questionado pelos jornalistas sobre se o CDS queria a convocação de eleições antecipadas para Lisboa, o deputado afastou essa hipótese dizendo-se “a favor da estabilidade”.

Antes, aos microfones da TSF, já o vereador do CDS em Lisboa, João Gonçalves Pereira, tinha acusado António Costa de “incoerência” no momento de saída do cargo de presidente da câmara, sugerindo a realização de eleições antecipadas. Em declarações no Fórum da TSF, o vereador declarou que o socialista não está a ser “coerente” porque “para o país defende uma coisa e para Lisboa faz outra”.

António Costa anunciou na terça-feira que vai abandonar a presidência da câmara, dedicando-se assim em exclusivo ao PS. Na reação, PSD e CDS acusaram o socialista de não levar os mandatos até ao fim e agora os centristas lembram a posição de Costa relativamente ao Governo de Passos Coelho.

“Já tenho dito publicamente que Portugal tem de acertar o seu calendário eleitoral normal com os calendários normais de elaboração de orçamentos e com os próprios calendários europeus. Como sabem a Constituição alinhou a existência das eleições com o mês de outubro. O calendário europeu deveria fazer com que saudavelmente o novo governo pudesse entrar em funções em finais de maio ou junho de forma a ter tempo de calma e serenamente preparar um orçamento para ser apresentado a 15 de outubro como é normal”, defendeu Costa, em outubro, já depois de ter vencido as eleições primárias no PS.