A Fiat Chrysler Automobiles NV foi condenada a pagar uma indemnização de 150 milhões de dólares – 136 milhões de euros ao câmbio atual – à família de uma criança de quatro anos que morreu carbonizada no banco de trás de um Jeep Grand Cherokee, modelo de 1999, após um choque traseiro. O tribunal onde o processo decorreu, no Estado da Geórgia, determinou que o design do carro aumentava de forma irresponsável o risco de explosão do depósito de combustível na sequência de acidentes de pequena gravidade. Pelo menos 75 pessoas terão morrido por causa desta mesma falha, no final da década de 90, pelo que as consequências desta decisão podem ser significativas.

Nos modelos em questão, jipes Grand Cherokee e Grand Liberty, o depósito de combustível estava a cerca de 25 centímetros da traseira do carro. Um embate de pequena gravidade foi suficiente, em 2012, para incendiar o carro da família de Remington Walden – o nome da criança – e causar a sua morte. O júri deliberou que o design é irresponsável e considerou a Chrysler culpada, dando alento aos especialistas em segurança que há anos pedem a recolha de alguns modelos em que o risco é maior.

O resultado desta decisão pode também criar um precedente legal, algo crucial no sistema judicial norte-americano, para lançar várias dezenas de processos similares. As consequências deste veredito podem ser “significativas” para a Chrysler, que entretanto se fundiu com a italiana Fiat, afirma o Professor de Direito Carl Tobias, da Universidade de Richmond, ouvido pela Bloomberg. “Este veredicto enorme irá encorajar os queixosos e potenciais queixosos a revigorar alguns processos que já existam ou a iniciar processos que não tinham já sido lançados por se acreditar que não teriam grande hipótese de sucesso”, diz o especialista.

Fiat Chrysler admite recorrer da decisão

A partir de 2005, os novos modelos passaram a ter depósitos de combustível mais afastados da traseira. Isto apesar de a Chrysler sempre ter garantido que o design antigo cumpria todos os padrões de segurança dos EUA. Na altura do acidente com a família de Remington Walden, a criança de quatro anos, o tribunal condenou o condutor do veículo que embateu na traseira a oito anos de prisão por homicídio. Este júri de Richmond vem, agora, determinar que esse condutor teve 1% da culpa pelo resultado do acidente e a Chrysler 99%.

O advogado da família, Jeb Butler, reagiu à decisão dizendo que “a Chrysler optou de forma consciente por colocar famílias americanas em risco, apostando que os júris não iriam descobrir”. Já o advogado de defesa da Fiat Chrysler mostrou-se dececionado com a decisão do júri, admitindo que poderá recorrer da decisão.