Os pilotos da Portugália (PGA) seguiram o mesmo caminho dos da TAP e marcaram uma greve de dez dias, entre 1 e 10 de maio, avançou a direção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil esta quinta-feira, em comunicado. Os pilotos consideram que o processo negocial em curso desde maio de 2014 chegou a um “impasse”.
A proposta de greve foi aprovada, em unanimidade, pelos pilotos da PGA presentes na assembleia desta quinta-feira, tendo mandatado o SPAC para emitir o pré-aviso dentro de dois dias. Em causa, estão os “desequilíbrios e as discriminações” destes pilotos face aos outros trabalhadores do grupo TAP.
No documento, não é referida vontade prévia de desconvocar a greve, ao contrário do que foi manifestado pelos colegas da TAP.
Num comunicado emitido na semana passada, a direção do SPAC informou que “o processo negocial entre o SPAC, a TAP e a PGA, no âmbito do compromisso subsidiário do acordo ratificado com o Governo em 23 de dezembro de 2014 chegou a um impasse insanável, por motivos estritamente imputáveis à TAP, à PGA e ao Governo”.
Em causa, estão as pretensões dos pilotos sobre as diuturnidades e sobre a obtenção de 20% do capital da companhia aérea, aquando da sua privatização, que deverá estar concluída até ao final desta legislatura.
No comunicado divulgado esta quinta-feira, o SPAC avança que a TAP/PGA e o Governo pretendem aumentar os lucros dos investidores e os prémios dos gestores, à custa do sacrifício dos pilotos. O sindicato acrescentou que houve uma redução do custo do combustível, que o contexto macroeconómico evoluiu favoravelmente e que os depósitos bancários do grupo TAP tinham apresentado um saldo positivo de 234 milhões de euros a 1 de janeiro de 2015.
“Estão em causa o futuro de longo prazo da PGA, a dignidade profissional dos seus pilotos e a sua fadiga acumulada. O Governo pretende ignorar e desvalorizar os interesses vitais e o contributo dos pilotos para o futuro do Grupo”, lê-se no comunicado.
O Governo já tinha alertado para as consequências da greve e tinha assegurado que o acordo que foi estabelecido antes do Natal está a ser respeitado pelo Executivo. Os candidatos à compra do grupo TAP têm que entregar as propostas vinculativas até às 17 horas de 15 de maio.