A expectativa quanto ao impacto dos combustíveis simples nos preços era bastante limitada. Mas os valores médios de referência recolhidos por duas entidades públicas mostram, que ao contrário de uma descida dos preços, estes até subiram ligeiramente na sexta-feira. Foi neste dia que entrou em vigor a lei que passou a obrigar todas as estações de serviço a comercializarem uma oferta de combustíveis simples, ou seja sem aditivos, que também são conhecidos pela designação low cost (baixo custo).
De acordo com os preços médios indicados no site da Direção Geral de Energia e Geologia (consultar estatísticas), o valor cobrado pelo gasóleo subiu 0,1 cêntimos por litro na sexta-feira, face ao dia anterior. A subida foi de 0,2 cêntimos por litro quando a comparação é feita com os preços de quarta-feira. A análise aos produtos vendidos em maior número de estações, permite concluir que apenas o gasóleo especial baixou um cêntimo.
O preço médio da gasolina também aumentou, 0,1 cêntimos de quarta para quinta-feira, e mais 0,2 cêntimos na sexta-feira, o dia em entrou em vigor a imposição de venda dos combustíveis simples em todos os postos. Desde quarta-feira, o preço médio da gasolina normal, vendida em 1900 postos, aumentou 0,3 cêntimos. O número de estações que reportou preços na sexta-feira foi inferior ao dos dias anteriores, onde a informação cobre mais de 2000 bombas.
Os valores publicados na Direção-Geral de Energia têm por base os preços finais reportados pelos operadores antes da sua aplicação, com a indicação da hora a que serão introduzidos.
A conclusão não é diferente quando se olha para a evolução dos valores médios de referência publicados pela Entidade Nacional do Mercado de Combustíveis (ENMC). A entidade que tem por missão fiscalizar o setor faz as contas a preços de referência, que não são os finais porque excluem custos de logística e margens, mas também medem a evolução diária do mercado.
Entre quarta e sexta-feira, o preço de referência para o gasóleo saltou mais de um cêntimo por litro, na gasolina e no gasóleo. O efeito já de si limitado da introdução de oferta de combustíveis simples, terá sido ainda mais travado pela valorização das cotações do petróleo que irão aliás conduzir à subida dos preços no início da próxima semana.
O petróleo registou a maior valorização semanal desde fevereiro de 2011, com os futuros nos Estados Unidos a ganhar 8%, não obstante ter fechado com perdas ma sexta-feira. As cotações estão a reagir ao anúncio da queda de unidades de produção nos Estados Unidos, em particular ao nível dos recursos não convencionais (como o shale oil).
Segundo fontes do mercado, os aumentos no início desta semana devem rondar 2,5 e 3 cêntimos, o que na pratica anulo desconto que a maioria das petrolíferas começou a praticar nos produtos simples face aos aditivados.
A estratégia de algumas petrolíferas de excluir os produtos “normais” da sua oferta, mantendo os premium, mais caros, ao lado dos low-cost, também poderá ter levado a uma subida dos preços médios praticados a nível nacional no continente.
DECO estima poupança anual de apenas 10 euros
A DECO visitou entre quarta e sexta-feira cerca de 112 postos de combustíveis, para verificar o impacto da legislação low cost, e concluiu que a diferença de preço entre os produtos simples e aditivados era mínima (até três cêntimos). Segundo as contas da associação de defesa do consumidor, esta diferença representa apenas dez euros por ano de poupança para quem consumir um depósito mensal.
A DECO assinala a diversidade de estratégias. A Galp deixou de vender produtos premium, enquanto a BP, a Repsol e a Cepsa preferiram substituir os combustíveis “normais”, pela versão simples, mantendo os produtos mais caros. No entanto, estas indicações ainda estão visíveis à entrada do posto (só será obrigatório a partir de maio), o que não permite aos automobilistas decidirem de forma informada.
Para a associação, uma parte desta “confusão” deve-se ao facto de a portaria que define a forma como deverá ser identificado o combustível ter sido publicada apenas na última semana, com entrada em vigor a 4 de maio. “É inaceitável que uma informação tão importante para o consumidor tenha ficado para o último momento, pondo em causa dos objetivos da lei”.