O assunto não é novo. Na verdade, a notícia está na perseverança de Meryl Streep. Na criatividade da premiada atriz para continuar a reivindicar a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Desta vez o alvo foi o Congresso dos Estados Unidos. A atriz decidiu escrever uma carta em que pede aos congressistas para abraçarem a igualdade de género. Se são 535 membros, então a carta seguiu com 535 cópias. Todas assinadas pela atriz.

Na carta, Meryl pede ao Congresso para atender à Equal Rights Amendment (ERA — Emenda para a Igualdade de Direitos), que não está consagrada na Constituição do país. Esta emenda foi redigida em 1920, alguns anos depois de começar a ser concedido em alguns estados o direito de voto às mulheres — Washington concedeu esse direito em 1910 e a Califórnia seguiu o mesmo caminho em 1911.

A emenda foi aprovada pelo Congresso em 1972, mas o entusiasmo rapidamente passou a deceção. Até 1982, o prazo final para a ratificação, a emenda foi ratificada apenas por 35 estados — faltando três para os 38 necessários para que ficasse consagrada na Constituição. Entre os estados em falta estavam o Arizona e o Utah. O assunto tentou ser ressuscitado várias vezes depois de 1982, sem sucesso. Ganha agora novo alento com a criação de um grupo para a Emenda para a Igualdade de Direitos.

“Estou a escrever-vos para se indignarem pela igualdade — pela vossa mãe, pela vossa filha, pela vossa irmã, pela vossa mulher ou por vocês próprios — para apoiarem ativamente a Emenda para a Igualdade de Direitos. A ERA não é só um assunto de mulheres. Vai significar algo muito benéfico para toda a humanidade”, escreveu a atriz.

A defesa pela igualdade de género está no sangue da mulher Meryl Streep e vai passar também para a atriz, que interpretará a sufragista Emmeline Pankhurst em Suffragette. O filme é realizado por Sarah Gavron e centra-se nas mulheres britânicas que lutaram avidamente pelo direito de voto. As primeiras sufragistas do movimento britânico, dos finais do século XIX e inícios do século XX, estarão nos cinemas ainda em 2015.

A atriz enviou também uma cópia de “Equal Means Equal” a cada membro do Congresso, livro escrito por Jessica Neuwirth, presidente do grupo para a Emenda para a Igualdade de Direitos. “Uma geração inteira de meninas e mulheres está neste momento a falar sobre a questão da igualdade – igualdade salarial, igualdade na proteção (…), direitos iguais”, acrescenta a atriz.

A atriz já tem uma apoiante. “O momento é propício à ratificação da Emenda para a Igualdade de Direitos. Setenta por cento da população acha que já temos esta emenda consagrada na Constituição e ficam chocados quando percebem que não”, refere Jackie Speiera, congressista da Califórnia, cita o Guardian.