Os deputados do PSD eleitos pelo distrito de Faro alertaram Humberto Barbosa do consórcio Gateway, que ganhou o concurso de privatização da TAP, para a necessidade da companhia aérea operar voos internacionais para o Algarve.

As notícias de que a Gateway tem interesse em operar nos mercados norte e sul-americanos com ligações a Portugal podem ser uma oportunidade para criar ligações diretas do estrangeiro ao Algarve e ajudar a trazer mais turistas para aquele destino turístico.

“São mercados que também interessam ao Algarve em termos turísticos e se de alguma forma essa aposta poder ter consequências positivas e trazer mais turistas para o Algarve, e diversificar até destinos que não são os mais usuais para a região, pois naturalmente que só pode ser positivo”, disse à Lusa o deputado Bruno Inácio.

Caso o alerta tenha eco e consequência nos novos acionistas da TAP, os quatro deputados social-democratas consideram que a TAP passará a ter um contributo concreto para o turismo algarvio e vincam que até agora a TAP apenas faz voos de ligação de Lisboa ao Algarve.

“Não existem voos internacionais operados pela TAP a partir do Aeroporto de Faro” referem os deputados na carta enviada ao empresário Humberto Pedrosa do Consórcio Gateway, na qual frisam que, atualmente, “a dita companhia de bandeira, não traz nem leva, diretamente do e para o destino, um único turista para o Algarve”.

Reconhecendo a importância que a TAP tem no contexto económico nacional, os deputados sublinham que o maior destino turístico nacional, que concentra cerca de 40% da quota de turistas que visitam o país, tem estado à margem das operações e da estratégia da companhia.

Segundo Bruno Inácio, a questão foi colocada agora porque durante o processo de privatização o grupo de deputados não quis “criar mais ruído”, apontado esta lacuna nas operações da companhia nacional numa altura em que a oposição argumentava que a TAP tinha uma estratégica turística insubstituível.

A 11 de junho, o Governo aprovou a venda de 61% do capital social da TAP ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa – um dos dois finalistas do processo de privatização da transportadora aérea portuguesa, sendo Germán Efromovich o candidato preterido.

Na semana passada, o Governo e o consórcio Gateway assinaram o contrato de compra e venda de 61% do grupo TAP.