O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou a coligação PSD/CDS-PP e o PS de “enormíssima insensibilidade social”, face às posições que assumiram na quinta-feira na discussão dos projetos de lei para alteração das regras do subsídio de desemprego.

Em Braga, à margem de uma manifestação dos trabalhadores da Bosch, Arménio Carlos sublinhou que as atuais regras de subsídio de desemprego estão a “empurrar” as pessoas para a pobreza e para a exclusão social.

Na quinta-feira, a maioria PSD/CDS-PP e o maior partido da oposição, PS, consideraram “irrealistas” as propostas de PCP e BE sobre subsídios de desemprego, originadas por uma petição da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN).

Para Arménio Carlos, aquela posição revela uma “enormíssima insensibilidade social do CDS, do PSD e do próprio PS, que acabou por dar uma mãozinha às posições da direita”.

A petição, que contou com mais de 27.000 subscritores, pedia ao Estado para assumir políticas de pleno emprego e o alargamento dos subsídios, em período de crise, aos trabalhadores que já tenham ultrapassado o limite temporal.

Propunha ainda o financiamento das medidas com transferências para a Segurança Social, designadamente pela tributação dos rendimentos de capitais.

O líder da CGTP considerou hoje que rejeitar aquelas propostas com a justificação de que há condições orçamentais é “enganar” os portugueses.

“Até hoje, nunca houve problemas em responder às necessidades dos bancos privados que entraram em falência, como BPN ou o Novo Banco. Milhares de milhões de euros foram desviados do Orçamento do Estado para financiar os bancos. Não há alguns milhões de euros, que não são muitos, para dar apoio a quem não tem rigorosamente nada?”, questionou.

Em relação à manifestação dos trabalhadores da Bosch/Braga, Arménio Carlos disse que o único objetivo é reivindicar um aumento salarial de um euro por dia.

Lembrou que a empresa teve, no último ano, um lucro superior a 17 milhões de euros mas que, mesmo assim, se recusa a negociar aquele aumento.

“Uma multinacional desta dimensão e com estes lucros não está em condições de pagar mais um euro por dia?”, insurgiu-se.

A manifestação juntou mais de centena e meia de trabalhadores.