Não há dúvidas que os comportamentos e os estilos de vida influenciam a nossa saúde. Mas sabia que comer menos de três peças de fruta por dia é o que mais contribui para a perda de anos saudáveis? E que se trata de um risco absolutamente evitável? O aviso é deixado pela Direção-Geral de Saúde (DGS), no relatório “A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015“, apresentado esta terça-feira.

“Comer menos do que três peças de fruta por dia constitui o risco alimentar evitável que mais contribui para a perda de anos de vida saudável, estimando-se em 141 mil os anos de vida potencialmente perdidos pela população portuguesa em 2010”, lê-se no relatório.

A seguir aos hábitos alimentares inadequados (19%), os fatores de risco que mais contribuem para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa são a hipertensão arterial (17%), o índice de massa corporal elevado (13%) e o tabagismo (11%).

A DGS sublinha que as pessoas fumadoras apresentam um risco de morrer duas a três vezes superior ao observado em não fumadores e vivem, em média, menos dez anos.

Saúde dos portugueses regista ganhos ano após ano

Apesar destes problemas, as conclusões deste estudo, que descreve a saúde dos portugueses sem ter em conta a influência conjuntural da crise social e económica, “apontam para a evolução positiva na generalidade dos indicadores de Saúde”.

“O nível de saúde das cidadãs e dos cidadãos que residem em Portugal, no geral, tem apresentado ganhos ano após ano, atestados pela evolução dos principais indicadores, em particular no que se refere aos anos perdidos de vida saudável devido a doença, lesão ou fator de risco”, lê-se nas conclusões do relatório da DGS.

Essa evolução positiva dos indicadores de saúde é demonstrada desde logo pelas “tendências progressivas de cada vez maior esperança de viver à nascença, aos 45, aos 65 e aos 75 anos, acompanhadas por um aumento do número de anos de vida saudável”. Em 10 anos, a esperança de vida ao nascer registou um acréscimo de dois anos.

Este relatório não teve contudo em conta os efeitos da crise social e económica, mas os autores admitem a possibilidade dos efeitos de crises económicas e sociais “terem reflexos em indicadores apenas a médio e longo prazo”. “Admite-se, igualmente, que a resiliência dos cidadãos, das famílias e das comunidades contribua para explicar os sucessivos ganhos em Saúde.”

Vários autores consideram que 25% das causas da morte prematura podem ser evitadas e, por isso, a DGS refere que “há que estabelecer compromissos para a prevenção, nomeadamente: redução do sal nos alimentos, redução da diabetes e redução do tabagismo”. Além disso, “impõem-se medidas que visem desacelerar as curvas epidémicas crescentes e, em alguns casos, descontroladas”, como no caso das doenças crónicas.