Tecnologia

“Portugal não tem engenheiros para responder às necessidades do país”

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O Prémio Nova Geração pretende cativar e estimular os alunos para a engenharia e dotar as escolas e universidades com melhores meios técnicos. É um concurso para colocar Portugal na “Indústria 4.0”.

Linha de montagem da Maserati em Grugliasco, Itália

Siemens AG

Autor
  • Pedro Esteves

“Portugal não tem engenheiros para responder às necessidades do país”. A afirmação é de António Mira, Dir. Digital Factory and Process Industries and Drives da Siemens Portugal. Foi esta a pedra de toque para a criação do Prémio Nova Geração, que resulta da parceria “Engineering Made in Portugal”, estabelecida entre a multinacional alemã e o Estado Português em 2013. Este concurso de ideias dirige-se para o ensino técnico-profissional e superior e tem por objetivo captar jovens talentos, pessoas inteligentes e com ideias, potenciais engenheiros com capacidade para responder à procura crescente destes profissionais em Portugal, na Europa e no Mundo.

Formar engenheiros é uma tarefa complexa e está muito para além da capacidade estrutural das universidades — onde se incluem os laboratórios mal equipados ou obsoletos, um reflexo imediato da crise económica. O desafio começa muito mais cedo, na estruturação do pensamento lógico, em disciplinas como a matemática e a física, matérias que carregam a tradição e o estigma da dificuldade. É precisamente a partir daqui que a Siemens se quer tornar relevante, atuando logo nos primeiros níveis de ensino com os kits Ciência Viva e depois, mais à frente, equipando as escolas e universidades com tecnologia próxima da realidade das empresas.

António Mira explicou-nos as linhas gerais da parceira “Engineering Made in Portugal” e qual o papel da Siemens na formação de quadros preparados para o futuro.

Seduzir os jovens para a engenharia (ou as engenharias, considerando as diferentes áreas de especialização) é um dos grandes objectivos deste projeto. O outro é “contribuir para a formação de profissionais prontos a integrar a ‘Indústria 4.0’, centrada nos processos da digitalização, temas que vão proporcionar uma nova indústria, mais rápida, mais flexível e sobretudo, tem de levar a aumentos de produtividade para sermos mais concorrentes no novo mercado que aí está”, explicou-nos António Mira, da Siemens.

Esta linha de pensamento é transversal, está longe de ser exclusiva da indústria. O Observador falou com um professor e uma aluna do ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa); avaliaram a qualidade dos profissionais, perspetivaram o futuro e contaram como veem esta iniciativa e de que forma ela contribui para o ensino, no caso, da engenharia mecânica. E deixaram ainda um exemplo de um projeto a concurso.

Mário Mendes e Iris Santos Neto, professor e aluna, concordam que é um desafio onde só há vantagens. Este prémio é um estímulo extra para motivar e envolver os alunos, mas também para dinamizar a classe docente, porque fornece ferramentas úteis para o ensino. De um lado, material moderno para equipar os laboratórios, do outro a possibilidade de aprender numa realidade tecnologicamente mais próxima do mercado de trabalho. E além disso, para os alunos, a oportunidade de realizar um estágio na Siemens, que passa pela Alemanha.

E o futuro? É uma pergunta parece ter uma resposta óbvia: “O futuro da engenharia vai ser cada vez mais dependente da informática e da comunicação”, a internet vai ser, ainda mais, o elo de ligação entre máquinas e engenheiros. Na programação de máquinas, mas também no modo como se comunica com elas (no smartphone ou tablet, por exemplo), é o que defende Mário Mendes, professor do ISEL.

É também a opinião da Ordem dos Engenheiros, como retirámos da conversa com o Carlos Matias Ramos. O bastonário explicou-nos que o papel da Ordem nesta parceria passa por divulgar e estimular o Projeto Nova Geração, reforçou a falta de engenheiros em Portugal e sublinhou que a deslocação de jovens engenheiros para o estrangeiro é uma prova de que o ensino português tem qualidade.

O Projecto Nova Geração 2015 está em curso e envolve mais de 290 instituições de ensino (escolas e universidades). As candidaturas para alunos e equipas terminam em setembro e os prémios são, de facto, um estimulo. Os alunos vencedores são convidados a estagiar na Siemens durante seis meses, um dos quais passado no centro de I&D na Alemanha. Os professores ganham uma viagem à maior feira de indústria e engenharia do mundo, em Hannover (Alemanha). E também as escolas têm direito a prémio: as que tiverem mais alunos/equipas registados recebem kits de automação da Siemens.

Encontra todos os detalhes e o regulamento do concurso neste link.

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