José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil foi detido esta manhã em Brasília, na 17ª fase da investigação Lava Jato, detenção já confirmada pelo seu advogado Roberto Podval.

Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro, e Pablo Kipersmit, proprietário da empresa de consultoria Consist, também estão presos. O Globo avança que o antigo ministro ficará em prisão preventiva.

José Dirceu foi detido pouco depois das 10h (6h no Brasil), em sua casa onde se encontrava em prisão domiciliária depois de ser condenado num outro processo de corrupção, o Mensalão. Dirceu vivia com a mulher e com a filha. O braço direito de Lula da Silva foi levado para a esquadra de Brasília e deverá ser transferido para Curitiba ainda esta segunda-feira.

Sérgio Moro, o juiz da primeira instância no processo Lava Jato, escreveu no despacho de prisão que o ex-ministro “teria insistido” em receber dinheiro de propina em contratos da Petrobras, mesmo depois de ter abandonado o governo, em 2005.

Os pagamentos a Dirceu terão sido confirmados por dois suspeitos que estavam encarregados de intermediar a propina no esquema: Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal, e Milton Pascowitch, lobista. Ambos fizeram acordo de delação premiada – benefício concedido pela constituição brasileira a um criminoso que aceite colaborar com a investigação. Os benefícios vão desde redução da pena até extinção da mesma – para contar o que sabem sobre o caso.

Moro diz ainda que Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras e também sob suspeita neste processo, terá sido indicado por José Dirceu para o cargo. De acordo com o juiz, “na divisão dos valores de propinas dirigidos à diretora de Serviços e Engenharia, parte caberia a José Dirceu e ao seu grupo. José Dirceu teria persistido em receber a sua parcela, mesmo depois de ter deixado o cargo de Ministro da Casa Civil”.

A polícia brasileira tem ainda outros cinco mandados de prisão a cumprir esta segunda-feira, não só na capital, mas também em São Paulo e no Rio de Janeiro. A operação prevê ainda arresto de imóveis e bloqueio de ativos financeiros. Entre os crimes, o Ministério Público suspeita de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, avança o Globo.

Já a BBC Brasil, explica que no total a operação engloba 40 mandados judiciais: três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 26 de busca e apreensão e seis de “condução coercitiva” (depoimento obrigatório).

A fase foi batizada de “Pixuleco”, expressão que – de acordo com Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC – era utilizada por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da PT, quando falava de propinas pagas em contratos com o poder público.

Suspeita-se que Pessoa era o chefe do “cartel das empreiteiras”, onde empresas teriam sido beneficiadas em contratos com a Petrobras e outros órgãos públicos. Como Júlio Camargo e Milton Pascowitch, o ex-presidente da UTC também colabora com a investigação depois de ter acordado “delação premiada”.

A fase Pixuleco, a 17ª da operação Lava-Jato, foca-se no cumprimento de medidas cautelares aplicadas a suspeitos de recebimento de vantagens indevidas através de contratos com o Estado brasileiro.

Quem é José Dirceu?

Não é a primeira vez que José Dirceu, ministro de Lula da Silva entre janeiro de 2003 e junho de 2005, é associado a investigações graves de corrupção. Em 2005, Dirceu já tinha visto o seu nome ser puxado para o escândalo do Mensalão, outro dos grandes processos de corrupção brasileira.

Por causa disso, Dirceu estava em prisão domiciliária desde novembro de 2014, altura em que a viu a sua medida de coação ser alterada, e passou a cumprir em casa a pena de prisão a que foi condenado no processo do Mensalão : sete anos e 11 meses.