“Provavelmente não vais bater nenhum record no Twitter quando usares este fato, como a Caitlyn fez quando criou a conta dela, mas vais com certeza receber gargalhadas dos teus amigos e dos outros convidados”. É desta forma que a Anytime Costumes tenta convencer os clientes a comprar o fato “Call Me Caitlyn” para usar no Halloween, a 31 de outubro.

Por 74.99 dólares, qualquer coisa como 65 euros, leva-se para casa o kit para se ser a mulher que assumiu recentemente ser transgénero. O pack traz uns calções, um top acolchoado no peito, uma faixa que diz “Call Me Caitlyn” e uma peruca. Na fotografia, o fato é usado por um homem. O disfarce tenta claramente imitar a imagem de capa da edição da Vanity Fair de julho, em que a ex-atleta de 65 anos assumiu a sua identidade de género.

caitlyn vestido carnaval2

Página de venda do produto no site Anytime Costumes

556c7a214ae56e586e457d37_vf-cover-bruce-jenner-july-2015

Capa da Vanity Fair de julho.

A iniciativa da empresa de fatos e disfarces está a causar polémica. O anúncio de Caitlyn Jenner levou a que as pessoas transgénero conseguissem mais visibilidade e permitiu o debate sobre as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia por parte destas pessoas. E é esse “lado real” que é evocado pelos utilizadores do Twitter. “Ela não é uma fantasia”, diz uma jovem naquela rede social.

Caitlyn Jenner representa mais do que uma transição bem feita ou do que uma mulher bonita, salientam várias pessoas. Ela é a cara de muitos transgénero “que são mortos todos os dias”, e “as pessoas usam um fato daqueles como se não fosse nada?”

Trisha Lombardo, porta-voz da Anytime Costumes, rejeita qualquer intenção de ferir as susceptibilidades do público e diz mesmo que o disfarce pretende exaltar a coragem da protagonista de “I Am Cait”. “Caitlyn Jenner já provou que é a heroína da vida real mais importante do ano”, disse a responsável ao Daily News. E diz que têm “orgulho” em fazer um fato que celebra a vida dela.