A plataforma Livre/Tempo de Avançar pediu convergência da oposição e o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS) respondeu, aceitando apoiar a sua candidatura às legislativas, mas sem quaisquer candidatados. Ao Observador, Carmelinda Pereira, líder histórica do POUS, garante que o partido não vai desaparecer e apenas “não quis entrar neste jogo político”.

“Respondemos publicamente à carta da plataforma Livre/Tempo de Avançar por considerarmos que se trata de uma batalha política muito grande e que nada é mais urgente do do que esta união da oposição. Consideramos que se estas forças se tivessem encontra e respondido para impedir a privatização da TAP e dos transportes públicos, o terreno das eleições seria outro”, garante Carmelinda Pereira.

O POUS foi fundado em 1976 por Aires Rodrigues e Carmelinda Pereira, que saíram do PS – desde 1979, o POUS só não participou nas legislativas de 1991.  Apesar de não ter quaisquer candidatos nestas eleições, o POUS garante que está presente nos debates e no contacto com a população na campanha do Livre e “não considera importante” a ausência do boletim eleitoral. Garantindo que o partido não vai desaparecer, a líder do POUS diz que esta força partidária ainda é membro da IV Internacional, que se identifica como “fio de continuidade do marxismo revolucionário”. “Sei que em Espanha, os partidos da nossa organização também estão a lutar”, sublinhou a líder.

“Não nos vamos dissolver nesta plataforma”, garante Carmelinda Pereira.

Carmelinda Pereira explica ainda, sobre as eleições legislativas de 4 de outubro, que no programa do Livre/Tempo de Avançar há propostas com “muito mérito” como a defesa da escola pública e dos direitos dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo, algumas questões com as quais o POUS não se identifica. “No que diz respeito à União Europeia, não consideramos que seja reformável, queremos uma nova união dos povos, onde a soberania de cada país seja respeitada”, afirma a líder do partido.

Para o POUS, que está fora da corrida eleitoral, o objetivo é mesmo “anular a maioria PSD/CDS” e fazer com que sejam eleitos deputados que respeitem o seu mandato e não hesitem em “escolher entre o país e a troika”. Nas últimas eleições legislativas, o POUS teve 4.572 votos  e nas europeias, o partido arrecadou 3.666 votos. A líder diz que o número de votos não “determina” o partido.