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Os socialistas estão indignados com a RTP e pedem a demissão do diretor de informação por causa do tema escolhido para o programa “Prós e Contras” que será emitido segunda-feira à noite. O deputado do PS José Lello acusa mesmo a RTP de estar “ao serviço da campanha do PSD/CDS”. E João Galamba, atual dirigente socialista, pede a demissão do diretor de informação. Conduzido por Fátima Campos Ferreira, o debate vai ser sobre justiça, pegando na polémica frase lançada pelo eurodeputado Paulo Rangel há dias: “Alguém acredita que se o Partido Socialista estivesse no governo haveria um primeiro-ministro sob investigação?”.

No Facebook, o deputado João Galamba, que pertence à direção de António Costa, pediu desde logo do diretor a demissão do diretor de informação, Paulo Dentinho.

Também naquela rede social, José Lello, que é amigo pessoal de José Sócrates, escreve a este propósito que “a coligação marcou esta segunda um anúncio de duas horas de ataque ao PS, grátis, na televisão pública”. “O ‘Prós e contras’ é tempo de antena do Portugal à Frente, de Passos/Portas/Rangel? Então isto não é asfixia democrática?”, pergunta.

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A deputada Isabel Moreira também reagiu ferozmente naquela rede social, apelidando esta segunda-feira como “um dia negro da RTP” e deixando claro que não vai assistir ao programa. “A minha reacção é simples: não participarei na miséria de hoje. Não assistirei àquela coisa. Não contam comigo para audiência”, escreve.

Segundo Fátima Campos Ferreira explica na edição de domingo do DN, “os cidadãos merecem saber, em fase eleitoral, se há interferência da política na justiça”. Ao Observador, a jornalista remeteu qualquer comentário sobre as críticas para a direção de informação do canal mas, até à data, ainda não foi possível entrar em contacto com Paulo Dentinho.

Em estúdio vão estar a bastonária da Ordem dos Advogados, Elina Fraga, Octávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã, e o economista Nuno Garoupa, entre outros.

Também Ascenso Simões, ex-diretor de campanha de António Costa, se insurge. Em carta aberta à direção da RTP, publicada no Facebook, apela a que o tema do debate seja alterado. Se a RTP não o fizer “mais não posso que considerar que a RTP fez uma opção partidária, que nestas eleições optou por atacar o PS, maltratar os seus militantes e provocar os seus votantes”.

Simões, que é cabeça de lista em Vila Real, lembra o “controleirismo partidário imposto à RTP” noutros tempos e diz que pensava que isso não voltaria a acontecer.

“Há cada vez mais países onde os órgãos de comunicação social afirmam opções partidárias em tempo de eleições. Em Portugal nunca aconteceu, apesar de, pessoalmente, não ver qualquer impedimento à partida. Não veria mesmo qualquer incompatibilidade entre a assunção pública de uma opção política, por parte de um qualquer jornalista que seja autor e cara de um programa, e a sua manutenção na apresentação desse programa. Mas não tem acontecido e essa matriz marcaria, decisivamente, a opinião e a leitura que se faz de cada opção em cada tempo”, escreve.

Edite Estrela, eurodeputada e candidata a deputada nestas legislativas, fala, por seu turno, em “piada de mau gosto” e pede a intervenção do Presidente da República. “A televisão estatal vai mesmo dedicar um ‘Prós e contras’ ao dislate de Paulo Rangel? E os representantes do poder judicial nada têm a dizer? E o PR?”, escreveu no Facebook.

Paulo Pedroso também comentou o assunto, falando em “asfixia democrática”:

José Sócrates, que está em prisão domiciliária desde dia 4 de setembro, recebeu este domingo a visita do ex-primeiro-ministro António Guterres. À TVI, o socialista limitou-se a dizer: “Eu não faço comentários. Acho que estas coisas são privadas e não são para estar permanentemente na comunicação social”.

*Artigo atualizado dia 14/09 com novas reações de socialistas.