António Costa foi ao sítio onde perdeu as suas primeiras eleições pedir os votos a todos até porque “à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer”. Em Loures, rodeado de alguns socialistas como Fernando Medida, Ferro Rodrigues ou João Soares e de outros nomes que o têm acompanhado como Helena Roseta ou José Sá Fernandes, o líder socialista traçou os consensos da sua história para defender que é ele quem é capaz de os fazer e de assegurar estabilidade política:

“A última coisa que o país precisa é de uma crise política”, disse aos apoiantes. Com as sondagens sem darem um vencedor claro, o líder socialista puxa dos galões do diálogo que foi fazendo ao longo dos anos e acusa o outro lado de radicalismo: “É essencial que quem vença as eleições não sejam os que são os radicais no seu próprio campo político mas os que no conjunto da sociedade portuguesa têm capacidade de promover o diálogo social com os diferentes parceiros”.

Na senda dos discursos que tem vindo a fazer nos últimos dias, Costa lembrou o “falhanço” do défice e da dívida deste Governo, mas voltou a puxar o assunto mais para o lado social do que para os números. Por mais do que uma vez apelidou o Governo de “insensível” cada vez que enumerava um corte feito por Passos Coelho e Paulo Portas. Com Mário Centeno em frente, Costa marcou a diferença para esta leitura das finanças: “Há mais vida para além do Orçamento. Tão mais grave que o fracasso é a forma como este Governo, com a total falta de pudor, tentou justificar este falhanço. A forma como um político respeita ou não os seus cidadão (…) Não pode andar sempre impunemente na vida política a enganar tudo e todos. Só há uma resposta: é pô-los na rua!”, disse Costa.

Durante todo o discurso, Costa foi enumerando as situações em que o Governo foi “insensível” com os portugueses e quis atirar em 360 graus. Disse Costa que este Governo “foi implacável com todos”, “não houve uma geração que escapasse”, desde as crianças e jovens, aos idosos, classe média e empresários.

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O fundador do CDS e o homem das contas, porque “eles têm as sondagens, mas nós a força”

Basílio horta chama-lhe “senhor doutor”, Mário Centeno dá-lhe um abraço sentido. Os dois foram esta sexta-feira a Loures apelar ao voto, cada uma à sua maneira. Centeno puxou pelos números para acusar o Governo de “demagogia e eleitoralismo” e Basílio pediu união contra o Governo e contra as sondagens: “Não se deixem abater”, pediu.

“Não se atemorizem com isso. Não percam nem um minuto da sua vontade e da sua esperança”, repetiu Basílio Horta pedindo a todos os socialistas que façam uma manifestação de força no comício de Lisboa na próxima terça-feira. O fundador do CDS é a segunda vez que entra na campanha do PS. A primeira vez foi em Queluz, no último sábado. E deu o mote a António Costa para apelar aos votos do centro, mas também de “democratas-cristãos” e de quem não se revê nos “radicais” que estão no Governo.

E Basílio, quando chamado a discursar carregou na mesma tecla. Lembrou Basílio que “o que está hoje em cima da mesa é uma opção e uma opção muito clara entre continuar este caminho, da pobreza, da falta de dignidade do Estado, da humilhação dos reformados” ou votar no PS. Ou, sintetizou:“É a austeridade sem rigor o rigor sem austeridade”.

Dando vários exemplos e num discurso inflamado, Basílio Horta, que é atualmente presidente da Câmara de Sintra, insistiu na ideia que não se deve andar a duvidar de que o PS é capaz de governar com estabilidade:“Estabilidade? Mas haverá maior instabilidade que uma vitória deste governo? Quem tem capacidade de dialogo é o PS. Este gov tem uma capacidade muito, muito limitada. Quem tem capacidade é o PS e o sr Doutor António Costa”. E Basílio até alinhou pela bitola de Costa, de que a estabilidade não se centra apenas nos números, “não é só ter paz na rua, é ter paz nas consciências”.

Devolver sobretaxa é “medida eleitoralista”

Se Basílio puxou pela parte mais política, Centeno puxou pelos números. O homem que se o PS ganhar pode vir a ser o próximo ministro das finanças, acusou o Governo de falhar na gestão financeira. Disse Centeno, sobre a notícia de que o Governo se prepara para anunciar a devolução da sobretaxa de IRS, noticiava hoje o jornal Sol, que “é obviamente um exercício de cosmética, puramente eleitoralista. Porque o faz? Porque tem um custo zero, porque eles não vão ganhar as eleições no dia 4”.

Centeno falou dos números falhados do défice e da divida e finalizou dizendo: Dizem que “os seus falhanços, o défice, a pobreza, colocam em risco o programa do PS. É o grau mais elevado de demagogia que já consegui escutar. O que os falhanços deste Governo promovem, é a urgência, necessidade de seguir um caminho alternativo e dão muito mais força às propostas do PS”.