Prometidos há muito tempo, há vários dados que o Governo continua a esconder e que, em plena campanha eleitoral, poderiam ser úteis para perceber em detalhe o que se passou nos últimos anos em áreas como o fisco, as relações laborais ou mesmo a emigração. Eis alguns exemplos:

  • As estatísticas sobre a cobrança de IRS em 2013

Estes dados revelados pela Autoridade Aduaneira mostram quantos agregados pagam impostos em Portugal e como evoluiu a carga fiscal por escalão de rendimento e distrito. Mas ainda não foram publicados os números de 2013. Este foi o ano do enorme aumento de impostos. Coincidência? O atraso é superior ao período recente de publicação destes números, apesar de nunca se ter cumprido o prazo definido pela lei.

  • A taxa de empregabilidade dos estágios

Os dados públicos – houve um relatório recente do Tribunal de Contas – mostram que das pessoas que fazem estágios profissionais financiados pelo Estado, apenas cerca de um terço fica na empresa que dá o estágio. O IEFP contraria estes dados. Diz que tem estudos que mostram que entre os jovens que fazem estágios, 70% consegue entrar no mercado do trabalho no prazo de um ano. Mas o estudo não foi divulgado.

  • Números da emigração

Segundo o Observatório da Emigração, emigraram 110 mil portugueses em 2014, mas o relatório realizado pela secretaria de Estado das Comunidades, normalmente antes das férias da Assembleia da República, este ano ainda não foi apresentado. A justificação é falta de dados e o pedido de um quadro da evolução da emigração portuguesa comparada com outros países. Ao DN, Rui Pena Pires, coordenador do Observatório, nega o pedido de novos quadros e diz que não foram pedidos quaisquer “elementos adicionais”. O relatório só deverá ser apresentado após as legislativas.

  • Relatório das fundações de solidariedade social

Tal como as fundações foram avaliadas, também um relatório sobre as fundações de solidariedade social deveria ter sido divulgado. Mas nunca foi. Soube-se através do relatório de atividades da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) em 2012 – e divulgado apenas em 2014 -, que 35 das 178 fundações de solidariedade social avaliadas não indicaram qualquer beneficiário e metade dos apoios públicos concedidos entre 2008 e 2010 abrangeram apenas 16 entidades, segundo divulgou o i. Apesar destes números terem sido conhecidos, o Governo nunca divulgou o relatório.