1. Nuno Gama embarcou numa caravela e fez a rota dos Descobrimentos

Continuando a viagem começada na coleção passada, Nuno Gama regressou aos Lusíadas e desta vez enfrentou “O Mostrengo” e passou definitivamente o Cabo das Tormentas. O que veio depois disso foi, como para os navegadores portugueses, um novo mundo que se desdobrou num desfile de quase 40 minutos e com mais de 100 pessoas na passerelle (96 modelos masculinos, praticantes de tai-chi e até um par de dragões chineses). Houve um caminho marítimo para a Índia que passou por África e foi até à Ásia, em interpretações mais ou menos literais que incluíram collants com padrão de leopardo (África), turbantes na cabeça dos modelos e estampados paisley (Índico) ou cintos inspirados nas faixas dos quimonos (Ásia). Uma viagem em quatro capítulos novamente encabeçada pelo ator Ricardo Carriço e onde os símbolos nacionais foram homenageados com sentido de humor em t-shirts com smilies inspirados em Luís de Camões, Vasco da Gama ou o próprio Infante D. Henrique, versão emoji.

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© Rui Vasco

2. Olga Noronha transformou o seu “desfile” num leilão solidário

Foi uma “Hairlucination”, com as modelos paradas nos Paços do Concelho feitas estátuas e vestidas com cabelos. Autora de um projeto premiado de joalharia medicamente prescrita (outra forma de dizer próteses embelezadas), Olga Noronha resolveu falar sobre a perda de cabelo motivada por tratamentos de quimioterapia fazendo uma instalação onde não faltaram madeixas coloridas e ponchos entrançados. Os cabelos cobriram as modelos da cabeça aos pés, e os pés serviram uma causa solidária: os ténis customizados pela criadora para a Reebok foram colocados à venda num leilão que está online até dia 16 de outubro e cujos lucros revertem para o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

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3. Houve muitos outros motivos para olhar para o chão

O número é supersticioso para alguns, mas motivo de orgulho para a APICCAPS — Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado: durante a 45ª edição da ModaLisboa, que decorreu entre 9 e 11 de outubro, foram 13 as marcas de sapatos made in Portugal que apresentaram o resultado das suas parcerias com designers nacionais, de entre eles Alexandra Moura e Goldmud, Dino Alves e Nobrand, Kolovrat e Nostudio, Nuno Gama e Eureka, Pedro Pedro e Basilius, Ricardo Andrez e Senhor Prudêncio, Ricardo Preto e Clay’s ou Valentim Quaresma e Fly London. Dezenas de “Portuguese Shoes” que pisaram as passerelles do Pátio da Galé e estiveram também em exposição no edifício dos Paços do Concelho antes de chegarem às sapatarias, na próxima primavera.

Portuguese Shoes

A exposição “Portuguese Shoes”. © Ana Dias Ferreira/Observador

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4. Dino Alves subiu ao palco do Teatro São Luiz para mostrar o processo criativo de uma coleção

Na noite de domingo, 11, e com mais de uma hora de atraso, Dino Alves deixou a passerelle quadrangular do Pátio da Galé e fez o encerramento da 45ª ModaLisboa na sala principal do Teatro São Luiz. Modelos — homens e mulheres — subiram ao palco para mostrar o processo criativo do designer de moda, num desfile-espetáculo com direito a levantar de cortinas — literais e figuradas. “O meu processo — Diário de uma coleção” mostrou o risca-e-deita-fora que caracteriza um processo criativo através de tecidos manipulados para terem um efeito enrugado, brincos impressos em 3D iguais às bolas de papel amassado que se atiram para o lixo e padrões a fazer lembrar rabiscos. Da plateia ou dos camarotes, o público pôde ver os modelos como folhas brancas que se foram enchendo de cor, até ao momento “Colour run” final, com direito a pó de tinta rosa despejado sobre três coordenados.

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5. Filipe Faísca subiu a temperatura sete meses antes do verão

Ao som de “I’m Every Woman”, Filipe Faísca terminou um desfile que foi uma autêntica celebração das mulheres fortes e sensuais. A frase de inspiração da coleção já prometia: “começa o tempo quando a mulher começa”, e a arma Herberto Helder — o verso é do poeta — não foi usada em vão. Com novas modelos e veteranas como Sofia Aparício e Sofia Baessa lado a lado, “Filipe Faísca now” revelou-se uma coleção urgente, feminina e sexy, cheia de plissados, sedas, rendas e transparências em cima de stilettos Louboutin capazes de provocar vertigens. As cores foram batizadas pelo designer numa paleta própria — branco do meio dia, verde tardio ou coral agora — e as peças foram acompanhadas por pequenas ficções escritas pela jornalista Sandra Nobre e narradas ao altifalante. Sobre quê? Mulheres. Em trânsito, em aeroportos, com os seus testes de gravidez ou saídas à noite em Ibiza.

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6. Valentim Quaresma vestiu os seus modelos de libelinhas e lagostas

E de repente, o Pátio da Galé teve direito a um “Habitat” próprio, com lagostas azuis turquesa, libelinhas gigantes e coral vermelho transformados em joias e acessórios que chegaram a cobrir os modelos como armaduras. Habitualmente provocador de imagens fortes, Valentim Quaresma, o homem que já criou joias para Christian Lacroix, não desiludiu. Nem a sua fauna construída em materiais como latão, esmeraldas, alumínio anodizado e rubis.

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7. Inês Castelo Branco abriu e fechou o desfile de Luís Carvalho na sua estreia na passerelle principal

Houve flores na coroação de Luís Carvalho. Dois anos depois de se estrear na ModaLisboa em nome próprio, o designer de moda de Vizela passou do LAB — a plataforma dedicada às micromarcas — para a passerelle principal, e escolheu Inês Castelo Branco para abrir e fechar o desfile da sua coleção, “Flower Explosion”. A escolha da atriz acaba por ser simbólica: Castelo Branco — que deu a cara num dos cartazes desta edição ModaLisboa, “The Timers” — foi uma das várias figuras públicas vestidas pelo criador na gala dos Globos de Ouro, um fenómeno que explica, em parte, o crescimento que serviu de trampolim ao designer. Flores, plissados e alguns apontamentos em vinil marcaram a sua coleção de homem e mulher para a primavera/verão 2016, com um pormenor de styling que sublinha por que é uma das maiores esperanças da moda nacional: o batom lilás da Sephora a condizer com os sapatos Eureka X Luís Carvalho.

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8. Alexandra Moura arrebatou a plateia com “o milagre das rosas”

Como na lenda da Rainha Santa Isabel, houve magia na coleção de Alexandra Moura para a primavera 2016. A designer de Lisboa fechou o segundo dia da ModaLisboa com uma coleção inspirada no milagre das rosas e conseguiu contar uma história através de peças que conjugaram tecidos pesados e leves e viajaram entre um caráter afirmativo e etéreo. Numa sala a derreter com o calor, a plateia foi aproximada da passerelle, e em boa hora: assim se viram, em pormenor, os regaços cheios de laçadas (ao invés de pão), as texturas dos casacos (em forma de flores, para mulher e homem), as fitas a segurar o cabelo das modelos, à maneira de gargantilhas, ou os acessórios e porta-chaves feitos em parceria com a marca FulanaBeltranaSicrana.

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9. Pela primeira vez em 12 anos houve um prémio atribuído à melhor coleção Sangue Novo

Sangue Novo, como o nome deixa adivinhar, é a plataforma dedicada aos nomes emergentes dentro da ModaLisboa. Este ano, e depois de um longo interregno, os novos talentos puderam não só apresentar as suas coleções mas também concorrer ao Prémio Moda Lisboa. Na prática, nove coleções — que apresentámos aqui — foram classificadas por um júri e Sara Santos foi a vencedora do concurso com uma coleção inspirada na subcultura Mod dos anos 60 onde não faltaram capacetes reinterpretados na passerelle, ou não fosse esta tribo urbana caracterizada por se deslocar em scooters. A designer de moda ganhou um lugar no curso Master Level Certificate in the Fashion Area, um workshop de cinco semanas oferecido pela Domus Academy no valor de 5.200 euros, em Milão, e uma bolsa de estudo de 5.000 euros atribuída pela Vulcano, patrocinador oficial da ModaLisboa.

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10. Os elétricos lisboetas foram transformados em casacos e camisas

A coleção foi batizada de “Cavalo Dado” mas foram os elétricos amarelos, como o 28, as estrelas dos padrões apresentados na coleção que a marca de Tiago Loureiro, Banda, apresentou na plataforma Sangue Novo. Em casacos, camisas, calças e vestidos, os ícones lisboetas, também pintados de azul, sublinharam o carácter urbano das propostas de streetwear do designer de moda alfacinha. Sem carteiristas.

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