Há quatro anos, Helena Roseta foi mãe. Mãe de um programa de revitalização de bairros e zonas de intervenção prioritária de Lisboa a que chamou BIP/ZIP. Depois, quando foi para a presidência da assembleia municipal, deixou o menino nas mãos da nova vereadora da Habitação e Desenvolvimento Local da câmara, Paula Marques. E hoje, quatro anos e cinco edições depois, o programa já “está maduro” e tem muita vontade de crescer. Esta sexta-feira, na apresentação dos projetos vencedores da edição de 2015, Paula Marques assumiu o próximo passo: o BIP/ZIP vai crescer financeiramente para poder crescer em número de projetos.

Mas o que é isso de BIP/ZIP? São 67 zonas da cidade que a câmara municipal definiu em 2011 como sendo de “intervenção prioritária”. Há de tudo na lista, desde os chamados bairros sociais  aos bairros do centro histórico, como também há todo o tipo de intervenções previstas. De entre os 36 projetos aprovados este ano, há um que prevê a reparação de um muro e a construção de um anfiteatro, um outro visa criar um negócio de street food, vários são para a criação de hortas comunitárias, outros são para formar jovens em diversos ofícios e alguns são para dinamizar zonas muito envelhecidas.

No lançamento dos projetos, Paula Marques não conseguia disfarçar a satisfação. “Olhando para esta sala, a única coisa que me apetece dizer é obrigado”. O salão nobre da câmara estava completamente cheio e, à medida que cada entidade promotora de um projeto ia assinando o protocolo para receber as verbas destinadas, a vasta plateia irrompia em aplausos mais ou menos entusiásticos, conforme a dimensão da claque.

“Este programa é um instrumento para fazer cumprir as nossas políticas de desenvolvimento local”, disse a vereadora, para quem o BIP/ZIP “espelha a diversidade de Lisboa”, por se aplicar em territórios tão diferentes como o Bairro 2 de Maio e o Cais do Sodré. Além disso, frisou, estas iniciativas têm como objetivo “fazer as comunidades perceberem que são parte da cidade” e, ao mesmo tempo, fazer a cidade perceber que estas comunidades existem.

O presidente da autarquia, Fernando Medina, também frisou esta ideia, ao dizer que a cidade de Lisboa é, no conjunto, “uma realidade altamente complexa e diversa” e que a câmara se tem esforçado para “partilhar o poder da governação da cidade” com a “multiplicidade de agentes e atores” que nela habitam e trabalham. E isso, garantiu, tem sido feito com ferramentas como o BIP/ZIP, que tem visto a sua importância a aumentar na cidade, porque contribui para destruir a “ideia de um poder central, majestático, autoritário”.

“Vocês ajudam-nos a governar melhor a cidade de Lisboa”, disse Medina aos representantes das entidades.

Este ano candidataram-se 109 projetos ao BIP/ZIP, dos quais foram escolhidos 36. É um número ligeiramente inferior ao de 2014 (39) e ao de 2013 (52). Mas, sublinhou Paula Marques, só não foram aprovados mais projetos porque não havia dinheiro. Distribuídos que estão 1,7 milhões de euros, a vereadora assume que gostava “de ver essa verba aumentada”, e espera poder dar novidades sobre este tema a breve prazo.

Desde que foi criado, este programa contribuiu para a criação de diversas infraestruturas na Mouraria, para a sensibilização dos moradores de bairros sociais para os problemas das zonas em que vivem e até para a criação de marcas com identidade própria, algumas das quais até já com projeção internacional. “Agora, a bola está do vosso lado”, rematou Medina.