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“O PS não compreende o teor do comunicado da dra. Maria Luís Albuquerque já que a informação a que se refere o secretário-geral do PS foi transmitida em reuniões em que a dra. Albuquerque não esteve presente“. Esta é a mensagem principal do comunicado difundido neste sábado pelo gabinete de imprensa do Partido Socialista, que reage ao esclarecimento feito hoje por Maria Luís Albuquerque das “insinuações” feitas por António Costa na entrevista à TVI na sexta-feira.

Maria Luís Albuquerque escreveu que “nada do conteúdo da referida reunião é suscetível de suportar as insinuações proferidas pelo secretário-geral do PS”, que ontem disse haver riscos económicos escondidos pelo governo. Mas porque Maria Luís Albuquerque não participou dessas reuniões, o PS diz que, “assim sendo, reiteramos as afirmações do secretário-geral do PS, não apenas quanto à sua substância como ao facto de a mesma ter sido transmitida nas diferentes reuniões mantidas com a delegação do PSD e do CDS”.

O PS continua: “aproveitamos para notar que esta manobra de diversão tem como único objetivo fazer esquecer que o PSD e o CDS continuam sem responder ao pedido de informação realizado pelo PS na sexta-feira dia 9 de outubro”.

Maria Luís Albuquerque tinha dito, esta manhã de sábado, que a situação das finanças públicas portuguesas é “absolutamente transparente” e defendendo que em política “não vale tudo”.

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Em comunicado na qualidade de deputada eleita pelo PSD e não como ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque explica a reunião que manteve com Mário Centeno, do PS, e garante que “nada do conteúdo da referida reunião é suscetível de suportar as insinuações proferidas pelo secretário-geral do PS, nem no decorrer da mesma foram suscitadas quaisquer preocupações ou informações sobre temas que não sejam do conhecimento público ou que sejam passíveis de gerar alarme sobre a situação atual e perspetivas futuras do país”.

“As questões foram essencialmente focadas em aspetos macroeconómicos e orçamentais. Toda a informação relevante disponível, designadamente sobre a execução orçamental de 2015 e ponto de situação da atualização do cenário macroeconómico, foi fornecida verbalmente e remetida posteriormente também por escrito”, explica no comunicado a social-democrata precisando que “as alterações ao cenário macroeconómico prendem-se com a atualização das hipóteses externas e a evolução mais positiva na taxa de desemprego e na decomposição do PIB“.

Maria Luís reuniu-se com Mário Centeno na última segunda-feira, embora o PSD e o CDS tivessem querido fazer a reunião mais cedo, logo no fim de semana, mas o economista não esteve disponível por razões pessoais, segunda conta agora a também ministra das Finanças.

“Em política não vale tudo e do Partido Socialista esperar-se-ia um comportamento responsável e verdadeiro perante os portugueses”, acrescenta Maria Luís, assegurando que “a situação das finanças públicas portuguesas é absolutamente transparente e é permanentemente auditada por entidades independentes nacionais e externas (Banco de Portugal, Conselho de Finanças Públicas, UTAO, INE, Comissão Europeia, FMI, BCE, Mecanismo Europeu de Estabilidade, OCDE, agências de rating, entre outros)”.