As três prioridades da Comissão Europeia na área da Investigação, Ciência e Inovação, são Inovação Aberta, Ciência Aberta e Abertura para o Mundo (Open Innovation, Open Science & Open to the World), lembrou esta quarta-feira o comissário Carlos Moedas, na conferência Innovate, Connect, Transform – ICT 2015.

A estratégia é que os artigos científicos sejam todos de acesso aberto e que os investigadores não tenham de pagar para poderem ler a investigação científica que já foi produzida e que lhes pode ser útil no trabalho que desenvolvem. Além disso, a proposta é que os dados utilizados pelos investigadores também estejam acessíveis para que, por um lado, a investigação possa ser replicada, confirmada e validada. Por outro, para que se possam reunir mais dados sobre um mesmo tema e se faça investigação mais profunda e integrada sobre o mesmo.

O comissário Carlos Moedas lembra que o acesso aberto aos artigos científicos já é uma das exigências do atual programa de financiamento europeu Horizonte 2020. Mas o comissário acrescenta ainda que, além da disponibilização dos dados, é preciso reforçar a responsabilidade dos investigadores e criar formas de penalização para quem não cumpra com a integridade que lhes é exigida.

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O que é a Open Science? (em português)

Mas esta disponibilização dos dados levanta muitas questões, como se demonstrou na sessão “Ciência Aberta e Dados Abertos para Inovação” (Open Science and Open Data for Innovation) que teve lugar durante a manhã, mas que não contou com a presença de Carlos Moedas.

É preciso criar plataformas, torná-las interoperáveis entre as várias disciplinas e instituições e fazer com que sejam fáceis de usar por qualquer utilizador, lembrou Natalia Manola, investigadora na Universidade de Atenas (Grécia), em relação à experiência adquirida enquanto coordenadora do projeto OpenAire (um projeto que apoia e encoraja o acesso aberto à informação). Da experiência de cinco anos ganha com o projeto OpenAire, Natalia Manola refere que os investigadores têm de receber formação para a introdução e pesquisa de dados nestas plataformas e ainda que o acesso livre precisa de financiamento.

Se devemos partilhar só os dados da investigação financiada por dinheiros público ou também aqueles financiados pelo setor privado? Se vale a pena partilhar todo o tipo de dados ou se é preciso fazer algum tipo de seleção dos dados a partilhar? Quem é que vai financiar a criação das plataformas, a sua gestão e manutenção? São perguntas que a sessão da manhã não conseguiu responder. E o comissário Carlos Moedas também não.

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Precisamos de uma “cloud” para a Ciência? (em inglês)

Só a partilha de informação permite a realização de conferências como a que esta semana tem lugar no Centro de Congressos de Lisboa, como referiu o comissário Carlos Moedas. Daí que valorize a colaboração entre investigadores e instituições, mas também com as empresas públicas e privadas, porque “não podemos inovar sozinhos”. Lembrou ainda que o próprio utilizador está cada vez mais envolvido na inovação e no mundo digital.

Depois de ter percorrido as exposições, o comissário afirmou aos jornalistas que “a inovação, no futuro, vai estar na interceção entre arte e ciência”. E não terminou a sua intervenção inicial sem lembrar que tinha visto “muitos inovadores portugueses e muitos projetos portugueses”, referindo que “muitas vezes esquecemo-nos da qualidade do capital humano que temos em Portugal em termos de inovação em ciência”.

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Mensagem inicial do comissário Carlos Moeda sobre a importância da inovação em ciência. (em inglês)

A valorização dos investigadores e a importância da investigação fundamental – matéria-prima para a criação de produtos e serviços – foi lembrada e reforçada pelo comissário. Carlos Moedas aproveitou para falar que o programa de bolsas do Centro Europeu de Investigação (ERC) serve exatamente para incentivar a ciência fundamental e a exploração de novos caminhos. As bolsas ERC “são chamadas os mini prémios Nobel”, disse o comissário, lembrando que Andre Geim, prémio Nobel da Física 2010, e May-Britt e Edvard Moser, prémios Nobel da Medicina 2014, tiveram bolsas ERC.

Este parece ser um bom incentivo para os investigadores portugueses que também receberam bolsas ERC. Só em 2014, por exemplo, receberam bolsa: Vítor Cardoso, do Instituto Superior Técnico (Lisboa), Raquel Oliveira e Luís Moita, do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras), Ana Carvalho e Nuno Alves, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (Porto), Cecília Roque, da Universidade Nova de Lisboa, Cristina Silva Pereira, do Instituto de Tecnologia Química e Bioquímica (Oeiras), Bruno Silva-Santos, João Barata e Henrique Veiga-Fernandes, do Instituto de Medicina Molecular (Lisboa) ou Megan Carey, da Fundação Champalimaud (pode conhecê-los aqui, aqui e aqui).

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Importância das bolsas para investigação fundamental do Centro Europeu de Investigação. (em inglês) 

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