Cinema

Cinemateca homenageia Fonseca e Costa com a exibição de “Sem sombra de pecado”

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A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, homenageia na quarta-feira o realizador José Fonseca e Costa falecido no domingo, com a exibição do seu filme "Sem sombra de pecado".

MARIO CRUZ/LUSA

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  • Agência Lusa
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 O realizador José Fonseca e Costa, falecido no passado domingo, aos 82 anos, é homenageado na quarta-feira pela Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, com a exibição do seu filme “Sem sombra de pecado”, divulgou a instituição.

A sessão, de entrada livre, está marcada para as 21:30, e tem lugar na sala Félix Ribeiro da Cinemateca – Museu do Cinema, à rua Barata Salgueiro, em Lisboa.

A trama de “Sem sombra de pecado” desenrola-se em Lisboa, no ano de 1943, com a II Guerra Mundial em “pano de fundo”, e conta com os desempenhos de, entre outros, Victoria Abril, Mário Viegas, Isabel de Castro, João Perry, Armando Cortez e Lia Gama.

Realizado em 1982, “Sem sombra de pecado” é baseado no conto “E aos costumes disse nada”, de David Mourão-Ferreira, que assina o argumento com o realizador, e constitui um dos primeiros filmes, como diretor de fotografia, do premiado Eduardo Serra (“Harry Potter”, “Rapariga do brinco de pérola”, “Diamantes de sangue”).

Fonseca e Costa faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de uma pneumonia, na sequência de uma pré-leucemia, segundo divulgou no domingo a edição digital do jornal Expresso.

Em declarações à agência Lusa, o produtor Paulo Branco afirmou que, apesar de já estar doente, o realizador decidiu avançar com o seu mais recente projeto, “que era muito importante para ele”.

O filme “chama-se ‘Axilas’, é baseado num conto do [escritor brasileiro] Rubem Fonseca, com argumento de Mário Botequilha”, adiantou Paulo Branco.

O documentário “Mistérios de Lisboa” (2009), baseado no livro de Fernando Pessoa “O que o turista deve ver em Lisboa”, com música de Duarte, e a longa-metragem “Viúva rica, solteira não fica” (2006) são os dois anteriores trabalhos do cineasta.

No ano passado, o realizador foi distinguido pela Academia Portuguesa de Cinema com o Prémio de Carreira, que lhe foi entregue pela atriz Lia Gama, protagonista de “Kilas, o mau da fita” (1980).

“O Fascínio” (2003), “Cinco Dias, Cinco Noites” (1996), a partir de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, “Os Cornos de Cronos” (1991), inspirado no romance de Américo Guerreiro de Sousa, “A Mulher do Próximo” (1988), comédia com argumento do realizador e de Miguel Esteves Cardoso, “Balada da Praia dos Cães” (1987), drama protagonizado por Raul Solnado, sobre o romance de José Cardoso Pires, “Sem Sombra de Pecado” (1983) e “Os Demónios de Alcácer Quibir” (1977), primeira produção portuguesa selecionada para a Quinzena dos Realizadores, em Cannes, são outros filmes de ficção de Fonseca e Costa.

A longa-metragem de estreia do realizador, “O Recado”, rodado em 1971, em plena ditadura, lidava de frente com a ação da PIDE, a polícia política do regime e o impacto da prisão de um homem, no seu círculo mais próximo.

Maria Cabral, José Viana e Luís Filipe Rocha, o futuro realizador de “A fuga” e “Cerromaior”, eram os protagonistas desta obra, estreada em 1972, distinguida com uma menção honrosa no Festival de San Remo, que se tornou exemplo das produções do Novo Cinema português.

O sucesso de “O recado” e o impacto do seu enredo estão na base da organização da primeira Semana do Cinema Novo Português, em Nice, com apoio do Cineclube e da Universidade local, onde então lecionava Eduardo Lourenço.

Fazem também parte da obra de Fonseca e Costa, produções tão distintas como o documentário “Música, Moçambique!” (1980), e filmes promocionais ou de atualidades como “A metafísica do chocolate” – designação que remete para “Tabacaria”, de Álvaro de Campos -, sobre a antiga fábrica Favorita, em Lisboa, e “A Cidade” (1967), documentário sobre Évora, em que ensaiou a expressão cinematográfica.

Fonseca e Costa iniciara a sua carreira cinematográfica em Itália, como assistente de Michelangelo Antonioni, em “O Eclipse”, de 1961.

O documentário “E era o mar” sobre o Hotel do Mar, do arquitecto Conceição Silva, em Sesimbra, constitui a primeira obra assinada, do cineasta.

Fonseca e Costa e os seus filmes foram distinguidos diversas vezes com o Grande Prémio do Cinema Português (“Balada da Praia dos Cães”, “Mulher do Próximo”), Globo de Ouro (“Cinco dias cinco noites”) e em festivais como o de Madrid, de Huelva ou de Gramado.

O funeral de José Fonseca e Costa realiza-se na terça-feira, para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, onde chega pelas 15 horas, disse à Lusa fonte da família.

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