O Google assinala esta terça-feira a descoberta de Lucy, um esqueleto encontrado há 41 anos na Etiópia e que ajudou os cientistas a compreender a evolução dos seres humanos. Foi assim possível identificar uma nova espécie, crismada de Australopithecus afarensis, e reconstituir um dos elos perdidos na cadeia que levou até ao aparecimento da nossa própria espécie, Homo sapiens.

Cerca de 40% do esqueleto foi encontrado intacto, uma situação rara, já que na maioria das vezes os fósseis estão incompletos ou danificados.

O doodle especial mostra a evolução do bipedalismo, numa versão simplificada da Marcha do Progresso, a ilustração comum da evolução humana.

A descoberta de Lucy foi uma das mais importantes até hoje e que marcou a história da arqueologia. O esqueleto de Lucy foi datado como sendo de uma fêmea que viveu há 3,2 milhões de anos, distinguindo-se por ser um dos mais antigos primatas bípedes, que se revelou como uma etapa importante entre os primatas que ainda utilizam os quatro membros para se deslocar e o Homo sapiens, segundo o The Telegraph. O The Independent reuniu cinco coisas que não sabemos sobre aquela que é uma das primeiras ancestrais da humanidade.

Lucy foi batizada depois da canção dos Beatles “Lucy in the Sky with Diamonds”

O paleontropólogo Donald Johanson, um dos responsáveis pela descoberta histórica, conta que no dia em que o esqueleto foi encontrado estava a tocar na rádio do acampamento a música dos Beatles “Lucy in The Sky with Diamonds”.

HOUSTON - AUGUST 28: A sculptor's rendering of the hominid Australopithecus afarensis is displayed as part of an exhibition that includes the 3.2 million year old fossilized remains of "Lucy", the most complete example of the species, at the Houston Museum of Natural Science, August 28, 2007 in Houston, Texas. The exhibition is the first for the fossil outside of Ethiopia and has generated criticism among the museum community and others that believe the fossil is too fragile to be moved from it's home country. (Photo by Dave Einsel/Getty Images)

Uma reconstituição de Lucy realizada para uma exposição no Houston Museum of Natural Science (Dave Einsel/Getty Images)

Depois de analisar a estrutura pélvica, Donald Johanson não teve dúvidas. Tratava-se de uma mulher e então decidiu que o esqueleto se deveria chamar Lucy. “De repente ela tornou-se numa pessoa”, disse à BBC.

Lucy caminhava ereta

Uma das coisas mais importantes sobre Lucy era a maneira como esta caminhava. Depois de serem estudados os ossos, em especial a estrutura do joelho e a curvatura da coluna, os cientistas descobriram que Lucy caminhava a maioria do tempo sobre as duas pernas, ou seja, que se orientava essencialmente na vertical, como os seres humanos.

Ninguém sabe como é que ela morreu

Existem poucas pistas sobre como Lucy morreu. Havia poucas marcas de dentadas no seu esqueleto, o que sugere que ela não foi morta por outros animais. Foi encontrada uma marca de dentes carnívoros, mas não se sabe se isso aconteceu antes ou depois de morrer.

Ela era bastante pequena

Embora Lucy caminhasse ereta e tivesse uma estrutura semelhante à do ser humano, a verdade é que ela era muito pequena, com cerca de 1,10 metros de altura e com um peso de 29 quilos.

Um dos modelos que reproduzem o esqueleto encontrado na Etiópia

Um dos modelos que reproduzem o esqueleto encontrado na Etiópia

Lucy vive atualmente na Etiópia

O esqueleto de Lucy está relativamente perto do sítio onde foi encontrada. Está guardado num cofre, no Museu Nacional da Etiópia em Addis Ababa, sendo que existe uma réplica em gesso que está disponível para ser vista pelo público. O The Independent conta que existem vários moldes de gesso espalhados ao redor do mundo.

https://twitter.com/idasls/status/625764163575386113