Rádio Observador

Auto

Os cinco carros que as construtoras chinesas copiaram (descaradamente) das ocidentais

443

As maiores construtoras do mundo têm deslocalizado a sua produção para a China, onde há muito quem queira comprar e onde os custos são menores. Mas têm-se deparado com um problema: o plágio.

Wikimedia Commons

Desengane-se quem julgar que os consumidores chineses preferem os motociclos, por causa do trânsito caótico em muitas das suas cidades. Ou que vão de bicicleta para o trabalho, para reduzir a sua pegada ecológica. Longe vão esses dias.

Com a ascensão da classe média na segunda maior economia do mundo, aumentou também o poder de compra dos chineses e hoje há mais de 154 milhões de veículos a circular no país, segundo dados do Ministério da Segurança Pública local.

Por outro lado, a Organização Internacional de Fabricantes Automóveis avança que em 2015 serão produzidos em território chinês mais de 16,5 milhões carros. É cerca de um quinto de toda a produção mundial e um valor semelhante ao da produção automóvel na União Europeia.

É verdade que muitos dos veículos produzidos na China são modelos das maiores construtoras internacionais — os grupos PSA, Volkswagen ou Fiat, por exemplo, há muito que deslocalizaram parte da sua produção para China, não só por ser um mercado onde a procura aumentou e muito, mas também pela redução que têm nos custos de produção — embora existam cada vez mais marcas chinesas no mercado interno.

O que há de curioso nestas marcas é que muitos dos seus modelos são cópias autênticas (às vezes descaradas) de modelos de marcas ocidentais. E só com um olho clínico (bom, por vezes nem é preciso tanto) se conseguem detetar as diferenças exteriores.

Há construtoras, como a Land Rover ou a Rolls-Royce, que agiram judicialmente contra as construtoras chinesas que lhes copiaram os modelos, mas outras há que não avançam para os tribunais, sob risco de Pequim declarar o embargo aos seus veículos. O rombo aí seria maior. Muito maior.

Recordamos-lhes cinco modelos. O original e a chinesice. Descubra as diferenças:

1) Mini vs. Lifan 330

(Créditos: Sergio Dionisio/Getty Images e Lifan Motors)

(Créditos: Sergio Dionisio/Getty Images e Lifan Motors)

O modelo britânico é icónico. Seja qual for a geração de que se fale. Mas tomemos as gerações mais recentes do Mini. O Lifan 330, produzido pela empresa chinesa Lifan Motors, é muito, como chamar-lhe, idêntico. Mas a Lifan não vende o 330 só na China. A Rússia e o Peru são dois dos países onde o Mini… perdão!, o 330, se comercializa.

2) Smart vs. Zotye E30

(Créditos: PATRICK HERTZOG/AFP/Getty Images e China Auto Web)

(Créditos: Patrick Hertzog/AFP/Getty Images e China Auto Web)

O Smart é comercializado pela alemã Daimler. O modelo branco, acima, é feito pela Zotye Auto, fundada em 2005. São os dois ultra-compactos. O Smart vende 1,7 milhões de unidades por ano em 46 países — incluindo o gigante asiático. O modelo da Zotye vende outros tantos… só na China.

3) Range Rover Evoque vs. LandWind X7

(Créditos: Tim Whitby/Getty Images e Wikimedia Commons)

(Créditos: Tim Whitby/Getty Images e Wikimedia Commons)

O grupo Land Rover não foi de modas e processou a construtora chinesa Landwind. É que o SUV Evoque e o X7 são cópias feitas a papel químico. O problema é que as autoridades chinesas arquivaram o caso no começo deste ano. E a Landwind não teve que pagar um só yuan à Land Rover. O diretor-geral da Land Rover, Ralf Speth, lametou à época: “As construtoras não têm qualquer poder para impedir as marcas chinesas de roubar os seus modelos. A nossa única esperança é que os consumidores notem a diferença.”

4) Toyota Yaris vs. Chery Riich M1

(Créditos: PHILIPPE HUGUEN/AFP/Getty Images e Wikimedia Commons)

(Créditos: Philippe Huguen/AFP/Getty Images e Wikimedia Commons)

Cópia descarada ou inspiração desmedida? O modelo Riich M1 da construtora Chery (umas das mais internacionais entre as chinesas) é igual a uma das anteriores gerações do Toyota Yaris. A Toyota chegou a ponderar processar a Chery, mas optou por descontinuar (à época) o Yaris na China. O Riich M1, por sua vez, continua a vender como pãezinhos quentes.

5) Rolls-Royce Phantom vs. Geely GE

(Créditos: ChinaFotoPress/Getty Images e Li Xin/AFP/Getty Images)

(Créditos: China Foto Press/Getty Images e Li Xin/AFP/Getty Images)

O Rolls-Royce Phantom custa qualquer coisa como 348 mil euros. O Geely GE, 42 mil. As semelhanças não estão só na silhueta. Até o Spirit of Ecstasy, na frente do capô, é copiado sem decoro. A Rolls-Royce processou a construtora chinesa Geely e esta terá alegado que o que fez foi uma “reinvenção”.

Comparador de carros novos

Compare até quatro, de entre todos os carros disponíveis no mercado, lado a lado.

Comparador de carros novosExperimentar agora

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)