A Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia garante que David Duarte, o jovem que morreu no hospital São José à espera de uma operação a um aneurisma, teve um tratamento adequado.

Em declarações à TSF, Carlos Vara Luíz, presidente da sociedade científica que reúne todos os 102 médicos especialistas em neurocirurgia, explicou que “o tratamento precoce de aneurismas rotos vai até às 72 horas e o doente ia ser operado às 60 horas, ou seja, estava perfeitamente dentro das normas internacionais”.

O especialista, que, como lembra a mesma TSF, também é neurocirurgião no São José – embora não tenha tido envolvimento no caso -, recordou, a propósito, que “quando começou a trabalhar, há mais de 30 anos, estes pacientes só eram operados às duas, três ou quatro semanas, e há países de grande qualidade que mantêm estes prazos”.

Ainda assim, o Carlos Vara Luíz reconhece que o que falhou neste caso foi “a morte de uma pessoa”, ou seja, “a pior coisa que pode acontecer a um médico”.

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“[David Duarte tinha poucas hipóteses de sobreviver], mas ao menos que não morresse à espera”, lamentou Carlos Luís Vara, antes de acrescentar: “Apesar de ter morrido dentro das normas internacionais”, que se baseiam em estatísticas recolhidas em estudos científicos.

O representante da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia defendeu, de resto, a decisão tomada pelo médico responsável pelo caso de não transferir o jovem de 29 anos para outro hospital. “Transferir um doente com um aneurisma roto na cabeça é um enorme risco de morte, entre 20% a 37,5%, pelo que devia ficar, como ficou, numa unidade de cuidados intensivos, vigiado e monitorizado. [Essa discussão] é perfeitamente descabida” pois tratava-se de um “doente com uma gravidade extrema, pelo que andar aos ‘tombos’ seria impensável”.

Apesar da posição assumida pela Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, na mesma linha dos argumentos utilizados pelo hospital São José, a Entidade Reguladora da Saúde já tinha chamado atenção para o problema: não só tinha conhecimento dos problemas no Hospital de São José ao fim de semana, como já tinha recomendado ao hospital, em julho de 2015, que transferisse os doentes com rutura de aneurisma cerebral para outras unidades com possibilidades e condições para realizar o respetivo tratamento. Isto, seis meses antes da morte de David Duarte, a 14 de dezembro.

David Duarte deu entrada no hospital São José, em Lisboa, na sexta-feira, dia 11 de dezembro, vindo do Hospital de Santarém. O jovem tinha um aneurisma cerebral e acabou por morrer na madrugada de domingo, dia 14, enquanto esperava por uma cirurgia. Isto porque, embora a situação fosse urgente, este hospital não tinha equipa médica para assegurar a cirurgia.