A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu hoje que há um “aumento de provas” que apontam para uma relação entre o vírus zika e os casos de microcefalia, mas somente em junho a situação será clarificada.

O prazo para as mulheres que ficaram grávidas no último trimestre de 2015, quando houve o aumento dos casos no Brasil, para darem à luz é junho, explicou o diretor executivo interino para Epidemias e Emergências de Saúde da OMS, Bruce Aylward.

O especialista, que intervinha numa conferência de imprensa da OMS sobre microcefalia, distúrbios neurológicos e o zika, acrescentou que as provas recolhidas aumentam “em termos de associação temporal e geográfica do vírus e as consequências que tememos”, em referência à microcefalia em recém-nascidos e a síndrome de Guillain Barré, acrescentou.

“Conforme se vai isolando o vírus nas pessoas infetadas, vemos a ausência de outras causas que possam explicar” tais doenças, disse ainda aquele responsável.

Assim, nestas circunstâncias, o zika “é considerado culpado até prova em contrário”, afirmou.

Publicações científicas apresentaram conclusões de diferentes publicações, incluindo algumas baseadas em autópsias de crianças com microcefalia e nas quais se encontrou o vírus no cérebro.

Como parte da estratégia que a OMS gizou para enfrentar o zika — para a qual requererá um financiamento de 50 milhões de euros – procura-se controlar a proliferação do mosquito que atua como vetor do vírus, o ‘Aedes aegypti’.

Presente também na conferência de imprensa, Pedro Alonso, diretor do Programa contra a Malária, da OMS, anunciou a esse respeito que em breve será publicado um guia de emergência para o controlo do mosquito do género ‘Aedes’, sobretudo o ‘Aedes aegypti’ na América Latina, a região mais afetada.

Pedro Alonso adiantou que um grupo de especialistas internacionais reunir-se-á nas próximas semanas para avaliar a conveniência de se utilizarem novos métodos, que ainda estão em desenvolvimento, para combater o mosquito.