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O Novo Banco apresentou esta quarta-feira prejuízos relativos ao ano de 2015, com perdas de 981 milhões de euros, um resultado que o banco atribui às imparidades com ativos que “gostaríamos de não ter herdado”, diz Eduardo Stock da Cunha.

Na apresentação de resultados anuais, o presidente executivo do banco indicou que o banco realizou 1.056 milhões de euros em provisões, um esforço que, garante Stock da Cunha, se explica em mais de metade com créditos em risco que a sua equipa gostaria de não ter herdado do BES. Mais de metade (quase 600 milhões) das perdas diz respeito aos clientes que o banco elenca como as 50 maiores exposições de risco

O banco não quis elaborar sobre que tipos de ativos estes são, mas deixou claro que o tipo de investimentos que o Novo Banco hoje não quer ter — podendo-se inferir o que está em causa nas imparidades — “grandes créditos, concedidos a empresas e projetos no estrangeiro, compras relevantes de ações em empresas cotadas”.

O prejuízo global é, diz o banco em comunicado à CMVM, “reflexo do elevado nível de provisionamento essencialmente a crédito a clientes, títulos e imóveis”. Além disso, o banco contabilizou uma perda de 172 milhões com juros vencidos.

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Excluindo esses efeitos, o resultado operacional foi positivo em 125 milhões, com uma redução de custos na ordem dos 12,7% face a 2014. Em particular, os custos com pessoal caiu 8,2% em termos comparáveis. “Temos de ter um plano frugal, com estruturas mais simplificadas, queremos um banco simples e eficiente. E estamos a construí-lo”, diz Stock da Cunha.

Chegou-se, assim, a um produto bancário de 806 milhões de euros 2m 2015, ao que se juntaram 118 milhões com resultados em operações financeiras (venda de dívida pública no mercado, essencialmente). 

O Novo Banco salienta, também, que os depósitos cresceram 2,8% face ao final de 2014.

Para 2016, o banco pretende resultados operacionais acima de 230 milhões de euros e quer aumentar os depósitos em 6% face ao valor de final de 2015. O banco quer, também, vender cerca de 700 milhões em imóveis mas, em simultâneo, aumentar o crédito à habitação para 700 milhões.

O regresso aos lucros só em 2018, antecipa Stock da Cunha, antevendo que em 2017 a atividade bancária core já tenha lucros mas só em 2018 o conjunto dos dois — a atividade central e os reflexos das imparidades antigas — o saldo seja positivo.