O ministro da Cultura, João Soares, mostrou-se disponível para dar “um impulso” às Tapeçarias de Portalegre, defendendo a sua “valorização e preservação”, com vista à projeção desta arte na cena internacional.

“Penso que há condições para podermos dar um impulso às Tapeçarias de Portalegre para que elas retomem o lugar de primeiro plano que tiveram, inclusivamente, no mercado internacional da arte”, afirmou.

João Soares, que visitou hoje de manhã a Manufatura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu Guy Fino, na mesma cidade alentejana, disse aos jornalistas que é “preciso garantir” a continuidade deste património, que é sobretudo humano.

“É preciso garantir que se mantém o que há aqui de património, que é um património muito importante, que é sobretudo o capital humano, das mulheres que aqui trabalham com talento que não tem paralelo em lugar nenhum do mundo, usando técnicas que não têm paralelo em lugar nenhum do mundo”, enalteceu.

Para o ministro da Cultura, as técnicas utilizadas na Manufatura de Tapeçarias de Portalegre são de um “capital de formação muitíssimo importante”, defendendo, por isso, que devem ser ensinadas e transmitidas às novas gerações.

João Soares mostrou-se empenhado em ajudar as Tapeçarias de Portalegre a retomar um lugar de destaque no mercado internacional, recordando que esse espaço já tinha sido ocupado por estes trabalhos nos anos 60 do século passado.

“É preciso encontrar mercado para que um trabalho desta qualidade se afirme no plano internacional, como aliás já aconteceu nos anos 60”, disse.

A técnica de execução das Tapeçarias de Portalegre é única no mundo e desenvolve-se desde a década de 1940, caracterizando-se por uma grande ligação aos artistas plásticos que concebem cartões propositadamente para os teares. Domingos Camarinha, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Vieira da Silva, Eduardo Nery, Graça Morais, Jean Lurçat e Le Corbusier são alguns dos artistas representados.

O ministro da Cultura, que hoje visita o Alto Alentejo, seguiu depois para Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, para conhecer o projeto Espaço do Tempo, do coreógrafo Rui Horta, instalado no Convento da Saudação.

João Soares visita ainda o Paço dos Henriques, em Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo.

O edifício histórico onde foi assinado o Tratado de Alcáçovas em 1479 vai reabrir como espaço cultural, após obras de requalificação que envolveram um investimento superior a dois milhões de euros.

Fundado no século XIII, o Paço dos Henriques foi palco da assinatura do tratado que pôs termo à Guerra de Sucessão de Castela.

“A obra está praticamente concluída. Estamos a ultimar aspetos da própria utilização do espaço”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto.

O autarca indicou que o edifício vai reabrir de “cara lavada”, durante o “primeiro semestre deste ano”, como espaço cultural, acolhendo várias valências, como um centro interpretativo, área de exposições, biblioteca, posto de turismo e núcleo documental.

A meio da tarde, o ministro preside à sessão na Direção Regional de Cultura do Alentejo, em Évora, do anúncio público da doação do espólio de João Cutileiro a esta direção, à Universidade de Évora e ao município.

Ao final da tarde, em Lisboa, João Soares encerra a conferência da rádio TSF na Escola Superior de Comunicação Social e às 20:00 no Cinema S. Jorge, marca presença na estreia do filme “O amor é lindo porque sim”, de Vicente Alves do Ó, com Maria Rueff, Frances Edward e Miguel Monteiro, entre outros.