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Música

Sensible Soccers. Banda sonora para uma road trip ou para golos de Ronaldo

“Villa Soledade”, o novo disco da banda e é apresentado na sexta e no sábado em dois concertos esgotados na Galeria Zé dos Bois.

Autor
  • Clara Silva

Em 2013, quando Cristiano Ronaldo ganhava a sua segunda bola de ouro e preparava um vídeo para agradecer o apoio dos fãs nas redes sociais – ou melhor, a agência de Braga Mezzo Lab preparava – foi “Twin Turbo”, música do primeiro EP dos Sensible Soccers, lançado em 2011, a escolhida para acompanhar os golos.

“Foi curioso e engraçado apesar de não ter sido ele a escolhê-la”, conta Filipe Azevedo, o guitarrista da banda, por telefone. “Fomos contactados pela empresa para usar a nossa música para um vídeo que ia ser publicado na página dele [e que acabou por se tornar viral]. É uma música mais diferente, não nos identificamos muito com ela, mas sim talvez se adapte a golos”, acaba por admitir.

Sobre “Villa Soledade”, o novo e segundo disco lançado no início deste mês e que é o sucessor de “8”, já é mais difícil dizer para que banda sonora poderia servir melhor. Para um road movie? arriscamos. “Talvez, mas dizes isso porque já estás sugestionada pela conversa”, responde o guitarrista.

A “Villa Soledade” que dá nome ao disco de sete faixas existe mesmo e fica na Nacional 104, “que liga Vila do Conde a Santo Tirso”, para quem lá passar. “É ali perto da Trofa. É uma casa muito especial, diferente de todas as outras. Mas não queria falar muito da casa porque o disco não é sobre a casa.”

Ainda assim, adapta-se na perfeição. “Apropriámo-nos do nome porque achámos bonito e porque está numa Estrada Nacional que faz parte do imaginário do disco, que trata da paisagem do Portugal industrial/rural do Grande Porto, de onde somos”, explica. Ele, Filipe, de São João da Madeira, Hugo Alfredo Gomes e Manuel Justo de Vila do Conde, o trio costuma ensaiar em Fornelo, uma aldeia em Vila do Conde, e isso também acaba por influenciar a sonoridade da banda. “Era diferente se estivéssemos no Porto a trabalhar, as coisas poderiam surgir de outra forma. Ali estamos isolados do stress da grande cidade, é bom trabalhar assim.”

Até as fotografias do álbum foram tiradas ao longo de estradas nacionais, em paisagens que parecem ter parado no tempo. “Tem muito a ver com o Portugal dos anos 90, altura em que crescemos e éramos adolescentes”, continua Filipe. “Era uma altura próspera e agora estamos na decadência dessa altura e este disco vive muito desse imaginário.”

Histórias

Vive também das memórias das canções que ouviam nesses tempos. “Por exemplo quando ia de férias para o Algarve de carro”, recorda. “O que nos influencia realmente são as canções que ouvíamos quando éramos mais novos, que passavam na rádio ou que uma tia mais velha punha a dar. À medida que vamos ficando mais velhos vamo-nos apercebendo disso, de que construímos as primeiras memórias ao som de alguma coisa que ficou.”

O disco, com faixas como “Bolissol”, “Nunca Mais Me Esquece”, “Clausura” ou “Shampom” – disponíveis no YouTube – começou a ganhar forma no ano passado com o projeto Paulo, “uma encomenda do GNRation, do [Teatro] Maria Matos e do Curtas Vila do Conde”, com imagens da artista plástica Laetitia Morais, quando lhes sugeriram que explorassem “o lado de música mais ambiente.”

Estava lançado o mote e estavam criados temas novos para os três concertos do projeto, entre maio e junho, que acabaram por integrar o disco. Nessa altura a banda ainda tinha quatro elementos, mas foi pouco depois da saída do baixista Emanuel Botelho, por “falta de disponibilidade”. “Faz parte da vida da banda. Ele está mais longe, em Coimbra, tem lá a família. Normalmente sou eu que gravo a maior parte das coisas em termos de guitarras e já no anterior tinha sido eu a gravar as linhas de baixo, por isso em termos musicais não houve grande stress. Mas é um dos elementos fundadores da banda e é sempre triste, agora vamos experimentar sem ele, uma coisa que nunca tínhamos feito, é outra aventura.”

Uma outra aventura que começa na sexta-feira, 11 de março, na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, com o primeiro concerto de apresentação de “Villa Soledade” e que se repete no dia seguinte, 12 de março – ambos os concertos estão esgotados. A digressão continua de Norte a Sul, pela Póvoa de Varzim, Loulé, Leiria, Coimbra e Barcelos e culmina com dois concertos em festivais, um no Rock In Rio no fim de maio e outro no Primavera Sound do Porto no início de junho.

“Gostamos de tocar em qualquer sítio, não somos esquisitos e já tocámos em sítios muito diferentes”, diz Filipe. Algum mais estranho? “Já tocámos nas ruínas do castelo numa aldeia chamada Castelo Rodrigo, num evento de moda. Um cenário que era muito ‘Pink Floyd ao vivo em Pompeia’, mesmo muito bonito.”

ss vs

Sensible Soccers
“Villa Soledade”
[disponível aqui]

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