Formado em Direito, casado, três filhos, 41 anos, Filipe Lobo d’ Ávila não dormiu de sábado para domingo e fez história no CDS ao abrir uma cisão no portismo do CDS, essa entidade aparentemente blindada e coesa construída por um líder centralizador e galvanizante.

Lobo d’ Ávila, que se tornou um dos protagonistas do XXVI congresso, era apoiante de uma candidatura de Nuno Melo à liderança do partido. Apresentou uma moção de estratégia global a puxar pelo lado doutrinário e conservador – contra o pragmatismo de Cristas. E foi a votos no Conselho Nacional arrecadando 23% dos votos, um valor que surpreendeu o próprio.

Mas quem é este delfim de Portas que acabou a estragar a festa preparada para Assunção? É ainda primo afastado do histórico socialista Manuel Alegre, pelo lado da mãe. A família tem vários títulos nobiliárquicos. O perfil da Wikipédia, confirmado pelo próprio ao Observador, detalha o facto de ser sobrinho-tetraneto do 1.º Conde de Valbom, e de sua mulher, meia-sobrinha-neta da 1.ª Baronesa da Recosta.

É o mais novo de três irmãos, nasceu no Porto (fanático do FC Porto), frequentou um colégio de ensino não-misto do Opus Dei, o Planalto, em Lisboa. O pai, um coronel do Exército, não o obrigou a ir para o ensino militar (Colégio Militar) como muitas vezes acontece. Licenciou-se em Direito na Universidade Católica em 1999.

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Começou a trabalhar na sociedade de advogados Alves Mendes, Jardim Gonçalves & Associados, foi depois assessor jurídico no Banco Português de Investimento e, quando o PSD/CDS chegou ao poder em 2002, Lobo d’ Ávila foi nomeado diretor-geral da Administração extra-judicial – cargo que manteve até 2008, ou seja, ainda durante o consulado de José Sócrates. Em 2008 regressou à advocacia e hoje pertence ao escritório de advogados espanhol Bardají Honrado (desde janeiro de 2015).

Foi eleito deputado em 2009 pelo círculo de Santarém. Em 2011, estreou-se no Governo como secretário de Estado da Administração Interna do ministro Miguel Macedo no Executivo Passos-Portas. Cessou funções em dezembro de 2013, ainda antes de Macedo sair do Governo na sequência do escândalo dos vistos Gold, e foi substituído por João Almeida. Quando volta ao Parlamento, o presidente do CDS escolhe-o para ser o porta-voz do partido e Filipe Lobo d’ Ávila fá-lo com discrição sempre sob a batuta de Portas. Até agora.