*Artigo atualizado às 16h19 com a informação de que as audições de Centeno e Carlos Costa foram adiadas

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, e Mário Centeno, ministro das Finanças, vão ser novamente ouvidos na Comissão de Inquérito ao caso Banif, assim como Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE).

As audições dos três foram aprovadas na reunião dos coordenadores dos diferentes grupos parlamentares da comissão Banif, agendada com caráter de urgência para dar resposta às informações entretanto tornadas públicas. Segundo o PSD, o ministro das Finanças intercedeu junto do BCE para desbloquear a opção de venda do Banif ao Santander. Entretanto, também surgiram notícias de que Carlos Costa teria ocultado informação fundamental ao Governo português.

Inicialmente, Carlos Costa e Mário Centeno deveria ser ouvidos já na próxima terça-feira, dia 19 de abril. Pelo menos era essa a vontade da comissão de inquérito ao Banif. No entanto, nessa altura, o Governador do Banco de Portugal estará em Washington, pelo que não poderá estar presente no Parlamento. A solução passa por adiar tudo por uma semana.

Isto porque os partidos querem ouvir o governador do Banco de Portugal e o ministro das Finanças no mesmo dia, porque estão em causa alegadas contradições na informação que veio a público e que contrariam aparentemente as declarações de Carlos Costa e Centeno na comissão de inquérito. A audição de Vítor Constâncio estava a agendada para 27 de abril, mas também deverá ser adiada.

A intenção da comissão de inquérito ao caso Banif é não continuar os trabalhos até serem ouvidos Mário Centeno e Carlos Costa.

A decisão de ouvir os três responsáveis foi anunciada por António Filipe, presidente da comissão de inquérito do Banif, durante o início da tarde. Carlos Costa e Centeno vão ser ouvidos presencialmente. Vítor Constâncio deve responder, na pior das hipóteses, por videoconferência. Essa é, pelo menos, a vontade dos deputados. António Filipe lembrou que o vice-presidente do BCE tem a prerrogativa de depor por escrito, “na medida em que não se encontra em território nacional”. A decisão está nas mãos do vice-presidente do BCE.

Só PS e Bloco de Esquerda não apresentaram requerimentos para ouvir qualquer um dos três. O PCP pediu que o Governador do Banco de Portugal fosse chamado ao Parlamento, o PSD exigiu a presença do ministro das Finanças e o CDS pediu a audição do Governador do Banco de Portugal.