Bares

Atenção, cocktails banais e mal servidos. Chegou o Terraplana

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Dois americanos e um britânico entram num bar. Parece o começo de uma anedota mas, na verdade, é o início de um espaço bem decorado, com cocktails de qualidade, que demorou três anos a construir.

Autor
  • Sara Otto Coelho

Apetece-lhe um mojito ou uma caipirinha? Pode dirigir-se ao número 287 da Avenida Rodrigues de Freitas, junto ao Jardim de São Lázaro, no Porto. A questão é: será que deve? Entrar no novo bar de cocktails Terraplana e beber o mesmo de sempre é como ir à melhor pastelaria da cidade pedir um galão e uma torrada. Ou entrar na melhor steakhouse do país e mandar vir para a mesa um simples bitoque. Vai ser bom, mas podia ser muito melhor. Mickey, Rod e Marina, os proprietários, sabem fazer bons mojitos, gins e caipirinhas mas se há lugar para experimentar um cocktail superior, é aqui.

Ao entrar no edifício de dois andares, e ainda antes de chegar ao balcão do bar onde estão as bebidas, vão-se descobrindo pormenores. Um teto desenhado, outro em alumínio, a fazer lembrar os antigos saloons americanos. “Se reparar, nos filmes de gangsters, nas cenas em que eles estão nos saloons de Chicago há sempre um teto destes“, compara Mickey McConnell. Americano a viver há quatro anos e meio em Portugal, trabalhou o mais que pôde nas luzes, que podem ser controladas por telemóvel e mudar de cor. As cadeiras têm os apoios certos porque “a ergonomia é importante”. Há uma escada em caracol feita de ferro. As bases de copos são personalizadas com desenhos do mesmo artista que pintou o teto. A lista continua.

Demorámos três anos a ter tudo como queríamos“, explica Rod ao Observador, visivelmente orgulhoso. O britânico tem motivos para isso. O espaço, planeado pelo arquiteto João Fonseca, tem quatro ambientes diferentes: a primeira sala, com o teto todo desenhado a preto e branco; o bar com algumas mesas e os lugares ao balão (bastante concorridos); no andar de cima há uma sala mais aconchegante, com um sofá e um papel de parede com animais em posições e atividades inesperadas, do qual é difícil tirar os olhos; e o terraço, preparado com mesas, árvores, canteiros e guarda-sóis para receber o bom tempo que aí vem.

terraplana cafe bar

Mickey McConnell é americano e há muito tempo que queria abrir um bar. O Porto foi a cidade escolhida. (foto: © Sara Otto Coelho / Observador)

Por cima do bar, na passagem entre a esplanada e a pequena sala com o sofá, há um vitral que se destaca. “Encontrámo-lo num antiquário perto da Boavista”, recorda Rod. Foi amor à primeira vista, ou não fosse a imagem de uma mulher com um cocktail na mão. Há outro vitral guardado, do mesmo tamanho e com a mesma mulher, que desta vez segura uma grande caneca de cerveja alemã. O proprietário promete ir trocando a imagem.

Correndo o risco de parecer o início de uma anedota, porque é que dois americanos e um britânico abrem um bar no Porto? As opções óbvias para um projeto destes eram Nova Iorque ou Londres. “Mas o risco era muito grande”, admite Mickey sobre as duas capitais, onde os valores das rendas podem atingir valores astronómicos. O Terraplana é a primeira experiência profissional dos três e Portugal ganhou a Espanha, Itália e Grécia na hora de escolher um poiso. O facto de Mickey já viver no país ajudou a convencer Rod e Marina de que o Porto tinha tudo para ser o local ideal.

Para além do ambiente, o grande trunfo é a criatividade e a dedicação que prometem pôr em cada um dos oito cocktails que fazem parte do primeiro menu. “Há muitos sítios a fazer cocktails, só que muitos acham que basta seguir a receita e pronto”. No Terraplana os ingredientes são frescos, os sabores testados e há até garrafas que ali chegam trazidas por alguns dos amigos que viajam, já que não se encontram em Portugal.

Uma das bebidas mais populares é a Senhora da Hora, a única que leva vinho do Porto Graham’s Fine. O rum Havana Club 7, a lima, o Grand Marnier e um ingrediente secreto fazem-lhe companhia. No topo, mirtilos e amoras. No fim, um sabor na boca que é doce e amargo ao mesmo tempo. Quem gosta de café deve apostar no Terraplana Café: a tequila Patrón XO de café é a estrela da mistura, à qual se juntam vodka Ketel One e um expresso. A Baikal Blue, de cor azul glaciar, faz-se com vodka Absolut Raspberri, Bols blue curaçao, triple sec, xarope simples, lima e uma cereja no final. E estes são apenas três exemplos.

terraplana senhora da hora 2

O cocktail Senhora da Hora é um dos que mais sai. Leva Porto Tawny, rum, Grand Marnier e lima. © Sara Otto Coelho / Observador

Todos os cocktails em lista custam neste momento entre 6,50€ e 8,50€. A carta é para ir mudando com frequência, para acolher as ideias dos três sócios. Por agora também se pode provar o Mortos-Vivos Margarita, uma bebida picante que leva tequila Olmeca Reposado, Grand Marnier, licor de cereja, morangos frescos, manjerição, lima e pimenta, ou o 36C Cosmo, um cosmopolitan feito com o vodka premium de ananás Ciroc, cointreau, sumo de groselha, laranja e lima.

Para além de irem atualizando a carta — continuando a fazer, a pedido, os cocktails que forem sendo substituídos –, Mickey, Marina e Rod não querem gerir um espaço estático. Concertos e DJ sets vão fazer parte da rotina. Há uma semana, celebraram a efeméride mexicana 5 de Mayo criando uma pizza com os ingredientes típicos desse país. Esta quarta-feira, 11 de maio, lembram o aniversário da morte de Bob Marley com a música dele a tocar no espaço e a criação de um cocktail especial para o dia. Na carta já existe o Jamaican Mule, com o rum de especiarias picantes Captain Morgan, cerveja de gengibre Old Jamaican (“muito difícil de encontrar por cá”, diz Rod), limas e amargos.

Para quem não desiste mesmo, sim, a caipirinha custa 4,50€, o mojito 6,50€, os gins (com várias marcas, incluindo a portuguesa Mui) começam nos 6,50€. As quatro cervejas de pressão — a belga Leffe, a checa Budweiser Budvar, a escocesa Brewdog (Punk IPA) e a alemã Paulaner, dizem, têm saído bastante.

terraplana cafe esplanada

O dia tinha sido de chuva e havia poucas mesas montadas. Mas o terraço vai ser uma das grandes apostas no verão. (foto: © Sara Otto Coelho / Observador)

No verão, é certo que a esplanada vai ter muita procura e os três já pensam na carta que vão fazer: uma só com cocktails de champanhe e outra só com gins, para refrescar.

E também há comida. Não há muita oferta, é certo, mas a pouca que há serve para o álcool não cair em estômagos vazios. Há fornos para as pizzas (seis variedades, todas entre 7,50€ e 8,50€), tapas, snacks e tábuas de carnes e queijos. Todos os dias há uma sobremesa. No dia em que o Observador lá esteve a sugestão era panna cotta de chocolate negro com laranja (2,50€). Pede-se tudo ao balcão, que o ambiente é casual.

Quanto ao nome, não foi escolhido para ajudar alguma pessoa menos sóbria a segurar-se em pé. Terraplana vem de Flatland, romance publicado em 1884 por Edwin Abbott, sobre a vida num mundo a duas dimensões. Na história, o narrador vê mais tarde um mundo a três dimensões e, uma vez conhecida uma realidade melhor, nada mais será igual. Perceberam, cocktails banais e mal servidos?

Nome: Terraplana
Morada: Avenida Rodrigues de Freitas, nº 287, Porto (entre o Jardim de São Lázaro e a Faculdade de Belas-Artes)
Contacto: info@terraplanacafe.com
Horário: Terça a quinta-feira das 11h00 às 00h00. Sexta e sábado das 11h00 às 02h00. Domingo das 17h00 às 00h00
Site: www.facebook.com/terraplanacafe

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