O líder da Fenprof, Mário Nogueira, disse este sábado que foram mais de 80 mil as pessoas manifestarem-se, em Lisboa, em defesa da escola pública. Uma fonte policial, que não quis ser citada, porém, disse ao Observador que não seriam mais de 20 mil. O encontro teve lugar às 14h30 e o desfile seguiu pela Avenida da Liberdade até à Praça do Rossio. Os primeiros manifestantes chegaram ao Rossio faltavam poucos minutos para as 17h00. Às 17h30, ainda não tinham chegado os manifestantes vindos da região Norte.

“Esta foi a maior manifestação de sempre em defesa da escola pública”, afirmou Mário Nogueira. “Estamos em condições de dizer que hoje a escola pública trouxe a esta rua mais de 80 mil pessoas. Se usássemos o fator multiplicador que usaram há tempos numa outra manifestação éramos meio milhão”, avançou o líder da Fenprof, debaixo de aplausos.

Algumas das personalidades que subscreveram a petição em defesa da escola pública, que foi entregue na Assembleia da República, subiram ao palco montado no local e fizeram intervenções sobre os motivos que os trouxeram à rua.

Entre os oradores estavam a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e a antiga secretária de Estado da Edução Ana Benavente.

Na intervenção inicial, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, salientou que esta iniciativa não era “uma marcha contra ninguém, nem contra os colégios privados”. Era uma iniciativa “pela defesa da escola pública, que tem sido maltratada”. Mário Nogueira disse que o ensino público tem sofrido um desinvestimento nos últimos anos, sobretudo nos 4 anos de Governo PSD/CDS-PP.

Os manifestantes empunhavam cartazes que davam colorido à praça e reforçavam o apelo à defesa da escola pública. “Educação pública de todos e para todos” e “Estado laico não paga dízimas” eram algumas das mensagens expressas pelos defensores da escola pública, que marcharam até ao Rossio.

A concentração era também marcada pelas bandeiras dos sindicatos de professores e da CGTP, e pontuada por cartazes de associações de pais, como a do Bombarral, e de escolas secundárias, como o liceu Camões.

A marcha contou ainda com a participação de pessoas que não integram a comunidade educativa mas concordam com os seus objetivos.

É o caso de Manuel Coelho, 61 anos, que não faz parte de qualquer sindicato, mas quis participar na marcha porque considera que o dinheiro dos seus impostos deve ser canalizado para a escola pública. “Estou aqui por uma melhor escola pública e quem quiser privado tem que pagar, não compete ao Estado”, disse à agência Lusa.

A marcha foi promovida principalmente pela Fenprof, convocada no final de maio, numa altura em que os colégios privados, com contrato de associação, se desdobravam em ações diárias para contestar a anunciada redução do número de turmas financiadas pelo Estado em estabelecimentos particulares, a partir do próximo ano letivo.

A petição em defesa da escola pública, que a Fenprof entregou na Assembleia da República, e que teve entre os primeiros subscritores nomes como os músicos Sérgio Godinho, Fausto e Pedro Abrunhosa, o poeta Manuel Alegre, a autarca Helena Roseta, a historiadora Raquel Varela ou o catedrático Santana Castilho, reuniu mais de 71 mil assinaturas.