A Federação Nacional de Professores (Fenprof) disse que os rankings das escolas, esta sexta-feira divulgados, estigmatizam escolas e desprestigiam o trabalho dos docentes.

Num comunicado, a Fenprof considerou que “os rankings traduzem as desigualdades que resultam de exames nacionais que hierarquizam e eliminam alunos, desprezam a aprendizagem saudável e a avaliação contínua”.

Para a federação, os rankings “estimulam o individualismo, segregam e estigmatizam escolas, desprestigiam o trabalho dos professores e promovem a competição em detrimento da cooperação”.

Nos primeiros 50 lugares da lista que ordena as notas nos exames nacionais de escolas públicas e privadas, aparecem apenas quatro escolas públicas e a primeira surge só no 38.º lugar, segundo uma análise feita pela Lusa aos dados divulgados pelo Ministério da Educação.

A Fenprof reiterou que, à semelhança de anteriores edições, “a intenção não é mais do que reforçar o preconceito ideológico de que o privado é bom e o público é mau e, assim, engordar o negócio da educação, também à custa do Estado”.

Segundo a análise feita pela Lusa, os estabelecimentos onde o contexto socioeconómico mais penaliza os alunos são também aqueles que mais sofrem com a falta de professores.

Os resultados dos alunos do secundário que realizaram provas em 2025 mostram ainda que a maioria das escolas públicas com melhores classificações nos exames são as que têm menos alunos carenciados.

Ainda assim, a maioria das escolas públicas consegue contrariar o impacto da pobreza no insucesso escolar.

A Fenprof defendeu ainda no mesmo comunicado que é necessário “aprofundar o investimento na Escola Pública, ao contrário do corte previsto de mais de 80% na proposta do Orçamento do Estado para 2027, permitindo garantir que se atenuam as desigualdades educativas, em particular as que resultam da condição socioeconómica dos alunos”.

A federação saúda “todos os professores que, diariamente, continuam a pugnar por uma educação e uma escola de qualidade para todos e pela formação integral dos alunos”.