Esteve em risco de não se realizar este ano, o Marés Vivas. O diferendo entre a Câmara Municipal de Gaia e a associação ambiental Quercus sobre a nova localização do festival só teve solução à vista em meados de maio, tempo limite para se começar a preparar o evento por onde vão passar Elton John, Kodaline, James Bay, Beth Orton e Rui Veloso, entre muitos outros.

Entre 14 e 16 de julho não falta concorrência, do Super Bock Super Rock, em Lisboa, ao novo Mimo festival, em Amarante. Mas não é por isso que faltará público à 14.ª edição do Marés Vivas. A organização, a cargo da PEV Entertainment, espera receber 90 mil pessoas, tendo já no segundo dia lotação “praticamente esgotada”.

O nome maior do cartaz é, sem dúvida, Sir Elton John. O britânico que se estreou em Portugal em 1971, no festival de Vilar de Mouros, regressa a um festival no norte de Portugal para promover o novo disco, Wonderful Crazy Night, pelo que não se espera menos do que uma noite feliz a 14 de julho. A última passagem do autor de “Your Song” por Portugal foi em 2010, no Rock in Rio Lisboa. Em setembro de 2000 cancelou na própria noite, e sem qualquer explicação, um concerto que tinha marcado no Casino Estoril. Esta quinta-feira, começará a cantar às 21h00, na Praia do Cabedelo.

Antes de se ouvirem sucessos como “Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)”, “Your Song” e “Don’t Let the Sun Go Down on Me” há o R&B de Kelis no palco principal, às 19h45. Mais tarde, às 23h30, a média de idades entre o público deverá baixar para receber os portugueses D.A.M.A., um dos fenómenos mais recentes de popularidade graças a canções como “Às Vezes”.

Além do palco principal, o recinto conta com mais três palcos: o Santa Casa, ou secundário, o Moche Room, feito para quem quer dançar ritmos mais eletrónicos, e o Palco Caixa, dedicado à comédia. Na quinta-feira, o palco secundário é dominado pelo rock másculo dos barcelenses Glockenwise e Killimanjaro. Pela área do stand up passarão, por exemplo, César Mourão (20h10) e Eduardo Madeira (00h00), que recentemente cumpriu uma promessa difícil na rotunda do Marquês.

O dia mais concorrido está a ser, até ao momento, o de sexta-feira e calculamos que a culpa seja da dupla James Bay e Kodaline, dois projetos que passaram no ano passado pelo NOS Alive. Com 25 anos, o britânico James Bay venceu este ano o prémio de Melhor Artista Britânico Masculino nos Brit Awards (já em 2015 tinha levado para casa o prémio da crítica). No entanto, no concerto que vimos dele no ano passado, não ficou mais na memória do que “um menino bonito, chato e previsível. Na voz, no estilo e na música”. Já para ver os Kodaline a tenda ficou a rebentar pelas costuras no ano passado, pelo que os fãs terão mais espaço desta vez para acender isqueiros (ou luzes do telemóvel) ao som do quarteto irlandês, autor de “High Hopes”

Se depois de tantas canções fofinhas o que apetece é dançar, o melhor é ficar para ver o belga Lost Frequencies, que toma conta do palco principal à uma da manhã. No palco secundário, vale a pena chegar cedo para ver os Plus Ultra, banda de Miguel Azevedo, Rui Gon e de Kinorm, dos extintos Ornatos Violeta. Seguem-se Jiboia e Derange. No Palco Caixa, Jean Carreira, o “filho perdido” de Tony Carreira, terá de dividir as atenções com Kodaline (23h30).

No terceiro dia vai saber bem cantar “quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar”, com vista para o rio Douro. Rui Veloso sobe ao palco principal às 22h30, ao qual se seguem os britânicos James, que atuam pela enésima vez em Portugal. Mas não faz mal. Sempre que por cá estiveram deram um bom espetáculo e mesmo quem não os ouve em casa ou nunca comprou um CD sabe na ponta da língua canções como “Getting Away With It”, “Sit Down” ou “Sometimes”.

Um dos concertos mais interessantes do cartaz será o de Beth Orton, às 20h00, no palco principal. A britânica lançou há cerca de um mês Kidsticks, deixou a folk de lado e virou-se para os sons mais eletrónicos, com a ajuda de Andrew Hung, dos Fuck Buttons. Logo a seguir, às 21h15, há mais um britânico para escutar, Tom Odell, com o seu piano e as influências de nomes como Elton John. Porque, já se sabe, isto anda tudo ligado.

mares vivas 2016 cartaz

Os bilhetes para o MEO Marés Vivas custam 35 euros e o passe para os três dias 60 euros.