O festival Marés Vivas vai regressar ao local original, junto à Praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia, anunciou esta terça-feira a autarquia. O presidente Eduardo Vítor Rodrigues avisa que vai imputar os prejuízos a “todos aqueles que torpedearam” o evento.

“Estando ainda disponível o espaço anterior, localizado a 900 metros do novo Parque Urbano de Canidelo, optámos por assumir não impedir o festival, não hipotecando a sua viabilização e assumimos, articuladamente com a organização e as entidades tutelares, realizá-lo no espaço anterior”, informou a câmara de Gaia, em comunicado.

Na quarta-feira, 11 de maio, a Quercus anunciou ter apresentado uma nova providência cautelar para suspender a realização do festival Marés Vivas no Estuário do Rio Douro, naquele que será o novo Parque Urbano Municipal, em São Paio, Canidelo. Desta vez, para não colocar o evento em risco, o município cedeu. Isto porque, com a providência cautelar, a limpeza do novo terreno teve de ser suspensa, o que iria atrasar a organização.

Todos os “evidentes prejuízos decorrentes deste interregno” serão aferidos e imputados “a todos aqueles que torpedearam o festival, sem fundamentos técnicos e científicos, recorrendo sistematicamente a falsidades, contra todos os pareceres oficiais atempadamente obtidos, e com motivações pouco claras que o tempo esclarecerá“, pode ler-se.

No final de 2015 a autarquia anunciou que o festival de verão teria de mudar de local, uma vez que o terreno onde se realizava é propriedade privada e seria alvo de construção. Este retrocesso só é possível “porque a construção da urbanização ainda não começou“, esclareceu a Câmara no mesmo comunicado.

O novo espaço escolhido no final do ano fica junto à reserva do Estuário do Douro, o que motivou críticas de ambientalistas e a apresentação de duas providências cautelares pela Quercus.

Para tentar resolver o diferendo entre a Câmara Municipal de Gaia e a Quercus, o Ministério do Ambiente anunciou em janeiro que iria criar uma Comissão de Acompanhamento, de modo a definir “medidas de minimização prévias à realização do festival”. Isso não agradou à organização ambiental, por não ser “metodologicamente correto”, uma vez que determinava a criação de uma comissão de avaliação dos impactos da mudança apenas para o final do evento. Ou seja, partia do princípio que o evento se iria realizar no mesmo local.

Quanto à música, essa continua marcada para os dias 14, 15 e 16 de julho, com nomes no cartaz como Elton John, James, James Bay e Kodaline.