Ao princípio, parecia sem um dos caminhos do futuro para o sector automóvel. E até pode muito bem vir a sê-lo. Mas o caminho poderá ser mais espinhoso do que inicialmente previsto. Suspeita-se que as soluções de condução autónoma já disponíveis no mercado possam estar na origem de alguns acidentes, e há que apurar e atribuir responsabilidades.

A pressão sobre a indústria e as entidades reguladoras aumentou substancialmente com o acidente que vitimou recentemente o condutor de um Tesla Model S nos EUA, enquanto fazia uso do sistema Autopilot da marca americana. Reforçando a necessidade de garantir que a tecnologia da condução autónoma só pode ser lançada no mercado quando garantida a segurança de todos os utilizadores da via pública.

Por isso mesmo, a Alemanha está a preparar legislação que obrigue os fabricantes de automóveis equipados com a função de “piloto automático” a instalar uma caixa negra nos seus veículos. A sua função será registar, quando o sistema está activo, se é quem está sentado atrás do volante quem conduz e quando é que o sistema requereu ao condutor que assumisse os comandos, contribuindo assim para o apuramento de responsabilidades em caso de acidente.

A proposta é do ministro dos Transportes teutónico, Alexander Dobrindt, que defende ainda que, mesmo que os condutores não tenham que ser obrigados a estar atentos ao tráfego ou a operar a direcção dos veículos equipados com estas soluções, terão de estar sempre sentados ao volante, por forma a poderem intervir em caso de emergência. O projecto-lei deverá ser enviado aos restantes ministérios para aprovação ainda durante o Verão.