Rádio Observador

Alterações Climáticas

Quercus em Marraquexe a lutar pelo número 1,5ºC. Em vez de 2ºC

Organização não governamental portuguesa está na COP22, que se realiza quatro dias depois de Acordo de Paris contra as alterações climáticas ter entrado em vigor. Objetivo é um número: 1,5ºC.

ROBERTO SCHMIDT/AFP/Getty Images

A organização não governamental portuguesa Quercus está desde esta segunda-feira na Conferência anual das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22), que decorre até dia 18 de novembro em Marraquexe. O objetivo, não só da Quercus como das restantes organizações de defesa do ambiente presentes na cimeira, é apenas um e gira à volta de um número que circula há meses nos meandros das entidades que lutam contra as alterações climáticas: 1,5ºC, o novo limite estipulado para a subida de temperatura em cada país, através do objetivo concertado de redução drástica das emissões de gases do efeito de estufa.

A meta estipulada no Acordo de Paris, que entrou em vigor na semana passada, dia 4, foi a de manter o aumento da temperatura média global “bem abaixo dos 2 graus centígrados (2ºC)”, com o compromisso de “continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus centígrados”. A meta é ambiciosa, todos sabem, mas é por ela que todos lutam na COP22, que acontece apenas quatro dias depois de o acordo ter entrado em vigor. Até foi criada uma hashtag para o efeito #1,5ºC.

“O Acordo de Paris começa a ficar obsoleto, porque a grande questão permanece em aberto: todos falam nos 1,5ºC, mas ainda não percebemos como e se vamos chegar lá. O grande desafio desta COP22 será perceber até que ponto os chefes de Estado e líderes políticos estão preparados para se comprometer, a nível nacional, com metas de redução de gases com efeito de estufa mais ambiciosas em relação aos compromissos atualmente estabelecidos. Por outro lado, a questão do financiamento climático e da ajuda aos países mais vulneráveis será crucial, pois esses serão os primeiros e os mais afetados pelas alterações climáticas”, afirma João Branco, presidente da Quercus, num comunicado oficial divulgado pela ONG.

Segundo a Quercus, a inclusão deste novo limite dos 1,5ºC no Acordo de Paris foi uma “conquista fundamental” do ponto de vista dos países mais vulneráveis, mas ainda “não chega”. “1,5ºC – Mobilizar ação e vontade política por um futuro mais seguro” é um dos eventos realizados à margem da COP onde a organização portuguesa vai participar, centrando-se nos passos que precisam de ser dados para chegar àquela meta nomeadamente através da “transição energética dos combustíveis fósseis para as energias renováveis”.

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