O espanhol Caixabank, maior acionista do BPI, disse esta quarta-feita que ainda não decidiu se votará favoravelmente, ou não, a venda parcial do Banco de Fomento de Angola (BFA) à Unitel e garantiu que a suspensão esta quarta-feira da assembleia-geral não atrasará o processo.

“Trata-se simplesmente de esperar mais alguns dias para ver se é possível ter a confirmação por parte do BCE [Banco Central Europeu] sobre se a venda de 2% do BFA é suficiente para solucionar o excesso de concentração de riscos do BPI em Angola“, disse em comunicado o banco espanhol, que detém 45,50% do BPI e tem em curso uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital social.

O Caixabank fez esta quarta-feira um pedido de suspensão da assembleia-geral, que se realizou na Casa da Música, no Porto, o qual foi aprovado pela maioria dos acionistas representados. A nova reunião magna foi marcada para 13 de dezembro.

Segundo o Caixabank, este adiamento da assembleia-geral não implica qualquer atraso neste processo e justificou com o contrato de venda já firmado entre o BPI e a operadora angolana Unitel, referindo que o que este estabelece é que os acionistas aprovem a operação até 15 de dezembro.

Não vai existir nenhum atraso, de acordo com o previsto no contrato assinado entre o BPI e a Unitel no passado dia 07 de outubro: esse contrato estabelece que a assembleia-geral do BPI que vote esta operação deve realizar-se antes de 15 de dezembro e o CaixaBank propôs que a nova assembleia-geral se realize a 13/12/16″, refere a informação à imprensa.

O Caixabank diz ainda que “não decidiu o seu sentido de voto” quanto a essa venda e que “espera tomar a sua decisão definitiva” até à próxima reunião magna.

A venda de 2% do BFA à operadora angolana Unitel, por 28 milhões de euros, foi proposta em setembro pela administração do banco português, liderada por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, considerando-a como a “única solução” para o BPI cumprir as exigências do Banco Central Europeu que obrigam à redução da exposição ao mercado angolano, onde Frankfurt entende que a supervisão bancária não é equivalente à europeia.

Caso essa venda se concretize, o BPI perderá o controlo da operação em Angola já que ficará com 48,1% do BFA e a Unitel com 51,9%. Atualmente, o BPI tem 50,1% do BFA e a Unitel 49,9%.