A Bosch assina esta sexta-feira um contrato consórcio com a Universidade de Aveiro no âmbito do Portugal 2020 para lançar as bases do projeto Smart Green Home. A parceria quer criar soluções no âmbito da conectividade e soluções de eficiência energética para “casas inteligentes”. Falámos com Sérgio Salústio, vice da Bosch em Aveiro, que diz que Portugal tem de “segurar primeiro os nossos talentos” e, depois, “criar condições para atrair outras competências e outros talentos” vindos de fora.

A cerimónia começa às 10h nas instalações da Bosch em Aveiro, onde será também inaugurado um novo edifício de Investigação e Desenvolvimento da unidade da Bosch Termotecnologia. Trata-se de um momento importante para a empresa alemã, para a Universidade de Aveiro e para a economia nacional, já que implica o investimento de 19 milhões de euros e a criação de 150 postos de trabalho altamente qualificados – técnicos doutorados e pós-graduados.

Os 19 milhões de euros serão aplicados durante quatro anos e repartidos (aproximadamente) em 10 milhões para a Bosch e 9 milhões para a Universidade de Aveiro. Numa primeira fase, o dinheiro servirá, essencialmente, para investimento em mão de obra e, numa segunda fase, o investimento destina-se a reforçar infraestruturas, quer na Bosch, quer na Universidade, seja no espaço dedicado ao desenvolvimento de software, ensaio e teste de energias renováveis, seja em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento.

Esta explicação foi-nos dada por Sérgio Salústio, Vice-Presidente Sénior de Engenharia de Produto da Bosch Termotecnologia em Aveiro. Em entrevista ao Observador, detalhou os principais aspetos deste protocolo, que tem por objetivo a criação de um centro de competência para desenvolvimento de software e soluções de conectividade.

A unidade da Bosch em Aveiro é, desde 2004, um centro de competência mundial em soluções de água quente, ou seja, as que visam produtos como os esquentadores, os cilindros elétricos e bombas de calor para aquecimento de água doméstica. “O novo centro vai permitir expandir estas soluções de água quente para sistemas de climatização (aquecimento e arrefecimento de espaços) e também, cuidar da qualidade do ar ambiente e desenvolver controladores e aplicações que interligam estes equipamentos”, explicou-nos Sérgio Salústio. “Este projeto pretende encontrar soluções para revolucionar o nível de conforto, um conforto ‘inteligente’, mais barato e de utilização intuitiva e divertida”, acrescentou.

O novo centro da Bosch em Aveiro representa uma oportunidade de emprego para muitos jovens formados na Universidade de Aveiro, mas o vice-presidente da Bosch Termotecnologia reconhece que “serão precisas muitas competências e muito especializadas”, pelo que estão envolvidas também as Universidades do Porto e do Minho.

Sérgio Salústio não tem dúvidas de que as universidades portuguesas estão a preparar bons técnicos e engenheiros, mas considera que faltava “um programa deste tipo, porque nem sempre as competências [dos estudantes] estão orientadas para a aplicação industrial.” O que se pretende é que “os novos alunos consigam passar à prática o conhecimento adquirido, ainda que numa área muito concreta como são as tecnologias e produtos de água quente e climatização”, uma área da Bosch coordenada, a nível mundial, pelo polo de Aveiro.

O responsável da empresa alemã considera, também, que as entidades portuguesas estão sensibilizadas e a trabalhar bem para a implementação de novos projetos e para o desenvolvimento de novas tecnologias (tomando por bom exemplo o Web Summit). Entende que “tudo reside nos talentos e nas competências” e que, para o desenvolvimento da indústria nacional, é importante conseguir “segurar primeiro os nossos talentos e criar condições para atrair outras competências e outros talentos”, bem como aprender a colaborar e a tirar partido desta nova vaga de desenvolvimento que se está a verificar em todo o mundo.

O projeto Smart Green Home é resumido por Sérgio Salústio da seguinte forma:

Trata-se de uma parceria destinada a unir universidade e indústria para transformar conhecimento em competências e em benefícios para a sociedade, através dos produtos e serviços que serão produzidos, desenvolvidos e comercializados a partir de Aveiro para o mundo inteiro. O projeto é local, mas tem um impacto mundial.”

O Vice-Presidente Sénior de Engenharia de Produto da Bosch Termotecnologia em Aveiro referiu que o retorno esperado para a economia nacional, até ao final do projeto, assenta em três vertentes: aumento de 30% na faturação deste departamento da Bosch; crescimento de 20% o número de trabalhadores qualificados, incluindo colaboradores com doutoramento e pós-graduação; aumentar o relacionamento com as instituições científicas do país, criando uma rede de colaboração, orientada para o domínio das “smart homes”.

O edifício agora inaugurado acrescenta mais 1.500 metros quadrados de área laboratorial, para suportar as áreas que vão ter o reforço com o novo centro (energias renováveis, eletrónica e software). Sérgio Salústio afirma que este novo espaço foi arquitetonicamente concebido “para promover um ambiente de colaboração”, é amplo e tem salas preparadas para reuniões com qualquer parte do mundo, ambientes informais que promovem a criatividade, desenhados de acordo com o programa “Inspiring Work Conditions”, promovido a nível global pela multinacional alemã.

A assinatura do protocolo Smart Green Home, que acontece esta sexta-feira entre a Bosch e a Universidade de Aveiro, conta com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, os administradores da Bosch, Rüdiger Saur, Sérgio Salústio e Carlos Ribas, bem como representantes da AICEP e do Compete.