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As raparigas saem beneficiadas na avaliação feita em sala de aula pelos professores

Estudo mostra que as notas atribuídas pelos professores são, por regra, superiores às alcançadas nos exames nacionais. E são as raparigas que saem mais beneficiadas na avaliação interna.

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As raparigas baixam a pontuação no exame em cerca de 0,2 a 0,9 pontos mais do que os rapazes

Maria Gralheiro

As raparigas baixam a pontuação no exame em cerca de 0,2 a 0,9 pontos mais do que os rapazes

Maria Gralheiro

Os alunos do 9.º e do 12.º ano têm, em média, notas mais baixas nos exames nacionais do que aquelas que alcançam na avaliação feita pelos professores ao longo do ano letivo. E são as raparigas que apresentam um maior fosso entre as duas classificações, de acordo com a versão preliminar do estudo Gender gaps in different grading sytems: evidence from Portugal, que olha para as classificações dos alunos a nível interno e externo, obtidas no período de 2007 a 2012 (na versão final haverá dados até 2016 e desde o 6.º ano de escolaridade).

“Não conseguimos dizer nada baseado em factos, mas sabemos que a avaliação dos professores não olha só para testes. Olha também para trabalhos, apresentações em aula e outros comportamentos e é mais fácil os alunos defenderem-se. E mesmo os professores podem socorrer-se de outro tipo de avaliações para compensar algum resultado pior num teste, por exemplo”, avançou ao Observador a professora e investigadora Ana Balcão Reis.

As diferenças que resultam da comparação entre a nota atribuída pelos professores e a classificação obtida no exame nacional, ao longo daqueles cinco anos, chegam a alcançar os cinco valores (numa escala de 0 a 20) para os rapazes, a Filosofia, e os 4,9 para as raparigas a Geometria Descritiva, sendo que as discrepâncias são também bastante acentuadas a Física e Química e a Biologia e Geologia. Não se deve esquecer que para a média final de secundário a avaliação interna conta 70% e os exames nacionais pesam 30%.

Mas se a primeira conclusão deste estudo é a divergência entre a classificação interna e a externa, a segunda conclusão que salta à vista prende-se com o facto de, sobretudo no ensino secundário, serem as raparigas que mais baixam as notas nos exames, quando comparadas com os rapazes.

Olhando apenas para as notas internas, as raparigas no secundário apresentam classificações superiores aos rapazes em todas as 21 disciplinas, à exceção de Geometria Descritiva e Tecnologias da Informação e Comunicação. Já quando se olha para os resultados nos exames, estes resultados são “parcialmente revertidos”. Os rapazes pontuam melhor que as raparigas em nove disciplinas (Economia, Física e Química, Geometria Descritiva, Tecnologias da Informação e Comunicação, História e História B, Inglês, Latim, Geografia) e baixam menos a nota nos restantes exames.

As investigadoras da Nova School of Business and Economics, Catarina dos Santos Ângelo e Ana Balcão Reis, trabalharam estatisticamente as notas obtidas em quase três milhões de exames (1,48 milhões do secundário e 1,4 do 9.º ano), ao longo dos anos 2007 a 2012, e concluíram que, no caso dos alunos do ensino secundário, “as raparigas baixam a pontuação no exame em cerca de 0,2 a 0,9 pontos mais do que os rapazes (em uma escala 0-20)” e que é a Geografia, Tecnologias da Informação e Comunicação, Geometria Descritiva e História que as raparigas saem mais “beneficiadas” do que os rapazes na avaliação interna.

Já no que diz respeito às disciplinas testadas tanto no 9 º como no 12 º ano — português e matemática — a diferença no fosso de avaliação entre rapazes e raparigas diminui do primeiro para o segundo momento de avaliação.

Os resultados mostram que um sistema de notas baseado na avaliação contínua recompensa sistematicamente mais as raparigas do que os rapazes”, lê-se no estudo assinado pelas investigadores Catarina dos Santos Ângelo e Ana Balcão Reis, a que o Observador teve acesso.

Embora as autoras do estudo apontem para a necessidade de uma investigação mais aprofundada para descobrir a causa exata desta discrepância de classificações entre géneros, sugerem que o resultado possa ser explicado pelo facto das competências em avaliação na sala de aula serem diferentes das que determinam uma boa pontuação nos exames nacionais, ou pelo facto de os professores se basearem em componentes do desempenho dos alunos para os quais “as habilidades necessárias se desenvolvem mais tarde na vida dos meninos”.

Em causa estarão competências não cognitivas como a maturidade emocional, a empatia, as habilidades interpessoais e as habilidades verbais e não-verbais que se traduzem num melhor comportamento em sala, maior pontualidade, assiduidade e sentido de responsabilidade (trabalhos para casa, material, trabalhos de grupo).

E se é verdade que uma avaliação deste género é mais completa, pois valoriza o desempenho do aluno num todo, “também deixa mais espaço para o comportamento discricionário dos professores e resultados subjetivos resultantes”.

“Reafirmando que concordo que deve ser mais bem investigado, a ser uma questão de desenvolvimento de competências não cognitivas acho que é importante conseguir saber de onde vem esta diferença, até para que se possa estimular o desenvolvimento dessas competências nos rapazes”, defendeu Catarina dos Santos Ângelo. Já Ana Balcão Reis sublinhou que as conclusões deste estudo, ligado a uma tese de doutoramento da Nova SBE, podem permitir aos professores, por outro lado, questionarem-se sobre “se se está a premiar os alunos que seguem mais a norma e não se abre espaço a comportamento mais criativos”.

É importante compreender se resulta da diferente natureza dos sistemas de classificação ou se é impulsionado pela interação professor-aluno, através da qual os professores recompensam sistematicamente as raparigas mais do que os rapazes”, lê-se no documento.

No caso do Português e da Matemática, que são as únicas disciplinas avaliadas externamente, tanto no 9.º como no 12.º, a diferença entre géneros “torna-se insignificante no secundário”. As investigadoras da Nova explicam que “isso pode indicar que nestes assuntos, que representam o núcleo do currículo, os rapazes aprendem a satisfazer as expectativas dos professores em relação ao seu comportamento em sala de aula, diminuindo a diferença de género”. “Outro facto que pode contribuir para esse comportamento pode ser a auto-seleção, através da qual os alunos escolhem entre o caminho académico e o profissional. Na verdade, apoiando esta última hipótese, a percentagem de rapazes no percurso académico do ensino secundário diminui em relação ao 9º ano, de 49% no segundo para quase 42% no primeiro.”

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